Opinião

Bolsonaro nas cordas

“Nada pior poderia ter acontecido para sua campanha”, diz Solnik sobre os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips

Jair Bolsonaro, o jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira
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É desnecessário provar que Bolsonaro foi o mandante do crime hediondo praticado contra Dom e Bruno. Os assassinatos cruéis foram estimulados pela política de terra sem lei que implantou na Amazônia. Não há como ocultar isso. 

Nada pior poderia ter acontecido para sua campanha de reeleição. A pauta mudou. Não há mais espaço para seu golpismo, para seus ataques às urnas eletrônicas. De agora em diante ele será pressionado a explicar os crimes e a modificar sua política do meio-ambiente. Dentro e fora do país. Acordos comerciais com a Europa ficam ameaçados.

Um fato impactante como esse muda o rumo da eleição. É a facada ao contrário. Se a facada abriu caminho para sua vitória, os assassinatos abrem caminho para sua derrota já no primeiro turno. 

As investigações vão prosseguir por muito tempo. E, portanto, o noticiário negativo para o governo. O caso será usado por todas as campanhas. Será o tema principal dos debates. Nenhum marqueteiro, por mais genial que seja, seria capaz de desvincular Bolsonaro do esquartejamento. 

O crime mostrou a barbárie à luz do dia. Os assassinos, independentemente dos mandantes, estão alinhados com o pensamento de Bolsonaro; as vítimas estão do outro lado, são anti-bolsonaristas.

A pauta do país mudou de urna eletrônica para urna mortuária.

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Cortes 247

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