Opinião

Chuchu e chibata

“Não bastasse o improviso, o desespero, o oportunismo, a hipocrisia e a dose cavalar de golpismo, a candidatura Alckmin segue a sua saga rumo ao mais impressionante amontoado de elementos pitorescos da história de uma eleição”, diz o colunista Gustavo Conde, sobre a chapa Alckmin e Ana Amélia, que ele chama carinhosamente de “Chuchu e…

Chuchu e chibata
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Não bastasse o improviso, o desespero, o oportunismo, a hipocrisia e a dose cavalar de golpismo, a candidatura Alckmin segue a sua saga rumo ao mais impressionante amontoado de elementos pitorescos da história de uma eleição.

É um assombro.

Um candidato que tem graves problemas de articulação de sentido da fala já é, por si só, uma atração especial para qualquer pleito. É exótico. Alckmin não fala, ele boceja. Alckmin não enuncia, ele replica clichês da política brasileira dos anos 70. Alckmin não faz proposições, ele junta fragmentos de lugares-comuns do economês e tentar construir períodos gramaticais no limite da inteligibilidade.

O apelido de Chuchu é um imenso desrespeito aos chuchus, hortaliças-frutos tão importantes para a dieta falimentar do brasileiro.

Mas pegou. Pegou e pegou forte. Os chuchus nunca mais serão os mesmos depois de Geraldo Alckmin.

O acordo com o centrão, a correria para se produzir um programa de governo nas coxas (e sem consultar o centrão), tão à maneira de ser do PSDB, esse partido que cada vez mais parece filme de terror policial (com a delinquência política associada à blindagem dos viaturas de polícia), torna a candidatura Alckmin um espetáculo de horror, digno dos circos das aberrações.

O eleitor, por mais cansado e destituído de tempo para avaliar candidaturas com a devida atenção, manifesta sua repulsa a tudo isso, oferecendo seus 4% de intenção de voto a essa facção política que representa oficialmente o golpe e a devastação econômico-social do país.

Não bastasse essa precariedade política em grau avançado, a candidatura do Chuchu resolveu se superar e convidar uma candidata a vice que melhor representa o fascismo brasileiro contemporâneo, depois de Bolsonaro.

Ana Amélia, com seu talento descomunal para produzir pérolas da linguagem (pobre linguagem) resolveu somar seu ‘anti-lastro’ de conhecimento à nulidade verbal do mais fracassado candidato à presidência que os tucanos já tiveram a infelicidade de experimentar.

A chapa “Chuchu e Chibata” veio para marcar toda uma geração de eleitores brasileiros. Jamais se viu chapa tão pedagógica em termos de convergência do horror político e comportamental. De um lado, um privatista vazio e destituído de carisma. De outro, uma matriarca autoritária, pronta a estalar o relho no primeiro trabalhador que reclamar.

É o relho e a morfina, o chicote e a xilocaína, a palmatória e a ‘aguinha com açúcar’, o coice e a omissão, a dor e a anestesia, o fascismo e o golpismo.

Nunca antes na história deste país se viu um par tão merecedor das saudações recíprocas: o Chuchu e a Chibata.

Fica a nossa torcida para que eles prestem o serviço de expor o exemplo negativo à toda sociedade brasileira. É a anti-chapa mais quente da nossa combalida cultura político-eleitoral. Merece nossos aplausos contidos de comiseração.


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