Por Alex Solnik
Ciro Gomes voltou a bater em Lula na sabatina UOL de hoje.
Não é novidade.
Bate em Lula desde o segundo turno de 2018, com exceção da condenação que ele sempre criticou.
Na pré-campanha, como se esperava, os ataques aumentaram.
Dá para entender por que ele bate mais em Lula que em Bolsonaro: não vai tirar voto do atual presidente. Tem que tentar atrair o eleitor do Lula.
Mas se Bolsonaro é pior que Lula, como reconheceu hoje, é uma ameaça à democracia e Lula não é, vale a pena usar uma estratégia que só ajuda Bolsonaro e ameaça a democracia?
O que é mais urgente: derrotar Lula ou derrotar a ameaça à democracia?
Além disso, essa estratégia não tirou um ponto sequer das intenções de voto no ex-presidente até agora. E também não acrescentou nenhum a Ciro.
Então para que bater?
Ao bater em Lula, presta serviço involuntário a Bolsonaro. Ajuda o discurso anti-PT. Ajuda o pior. Ajuda aquele que ameaça a democracia.
Se acha mesmo que vai para o segundo turno – todo político é otimista, senão não seria político – com que cara vai pedir votos aos que no primeiro turno votaram em Lula?
Outro equívoco da campanha é a ênfase em corrupção. É a sexta preocupação do eleitor.
Quem ataca aliados de Lula não deveria se aliar a Kassab e Luciano Bivar, nos quais jogou confete.
Kassab, como se sabe, teve de sair do governo João Doria devido a esqueletos no armário.
Bivar é o homem das laranjas.
Mas é a sua última cartada.
Impossível entrar na disputa só com o PDT.
Se a aliança fracassar, e ele tiver de jogar a toalha, ficará diante do dilema: Lula ou Bolsonaro?
É evidente que jamais vai escolher Bolsonaro. Mas terá de repetir o que disse hoje: Bolsonaro é pior que Lula.
Para indicar aos seus eleitores a coisa certa a fazer.
E dessa forma consolidar a vitória de Lula no primeiro turno.
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