A série de pesquisas que o IBOPE realiza para a CNI, para composição do INEC – Índice Nacional de Expectativa do Consumidor, revela que em novembro os consumidores ficaram ainda mais pessimistas em relação à economia: o índice de confiança recuou 2,1% em relação a novembro do ano passado, ficando em 101 pontos, o que significa um recuo de 6,6% em relação à média histórica. O pessimismo do consumidor é compatível com as revelações de outra pesquisa IBOPE divulgada nesta sexta-feira, feita a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, segundo a qual 86% consideram o governo Temer corrupto, 81% acham que a vontade da população é desrespeitada e 85% consideram que o país está no rumo errado. Na pesquisa do INEC, as maiores quedas são em relação à renda pessoal (queda de – 5,4% em relação ao ano passado e de – 2,6% em relação a outubro) e endividamento das famílias (- 6,6 em relação a novembro/2016 e – 3,1% em relação a outubro).
Na avaliação da própria CNI, “a manutenção do pessimismo do consumidor indica que a recuperação da demanda nos próximos meses tende a ser moderada. A estabilidade do INEC decorre de movimentos contrários de seus componentes. De um lado, o índice de endividamento e os índices de expectativa de própria renda e de inflação mostram variações negativas na comparação com outubro. De outro, o índice de situação financeira e os índices de expectativa de desemprego e de compras de bens de maior valor registram crescimento”. De fato a expectativa em relação ao emprego melhorou ligeiramente (+2,9% em relação a novembro do ano passado e +0,6% em relação a outubro) mas segundo o IBGE, três quartos dos empregos gerados recentemente foram informais, uma decorrência da reforma trabalhista que não justifica qualquer celebração.
O resumo do índice apurado por CNI/IBOPE é o seguinte: as famílias continuam preocupadas com seu endividamento crescente e não acreditam em aumento da renda, embora estejam mais otimistas em relação ao emprego.
Mas Temer acha que faz um bom governo e que está “colocando o Brasil nos trilhos”. Nos trilhos da desesperança, certamente.
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