Opinião

Como as guerras acabam

“Invadir um país não costuma dar certo por muito tempo”, avalia

Vladimir Putin faz pronunciamento
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   Ninguém supunha que o carniceiro Yevgeny Prigozhin derrubasse Putin com seu tresloucado motim, que comandou em represália à decisão de Moscou de tirar-lhe o controle (e os lucros) das suas tropas mercenárias, mas o fato é que, em apenas dois dias, ele tomou duas cidades do sul da Rússia, Rostov-do-Don e Voronezh, sem disparar um tiro. Mostrou aos russos que eles não estão seguros. De uma hora para outra, a guerra atravessou a fronteira. 

   E só não prosperou porque Putin ofereceu asilo ao carniceiro em Belarus, recuando de sua primeira decisão de castigá-lo severamente. E o carniceiro aceitou. (O que, é claro, não é garantia alguma de que terá vida longa em seu novo domicílio.)

   Foram 48 horas de terror para a população de Moscou, que está a apenas uma hora de voo de Kiev. Nunca antes a guerra esteve tão perto. Até trincheiras foram cavadas. O comboio dos mercenários estava a apenas 400 quilômetros quando o motim acabou.

   Definido, a princípio, por autoridades do Kremlin como tentativa de golpe de estado, o episódio revelou a divisão no alto escalão das forças russas, que contam com tropas do exército e com mercenários. 

    O episódio expôs o erro capital de Putin: atacar um país com o qual tem fronteira. É impossível a sua própria população não ser afetada à medida em que a guerra se prolonga. 

   Os Estados Unidos sempre fizeram guerras longe de seu território. Tem fronteira com apenas dois países, Canadá e México, que nem sonham em enfrentar seu poderio. E nenhum país distante tentou invadi-lo. Mas guerras longe do continente podem ser encerradas no próprio país. 

   Foi assim na Guerra do Vietnã. O volume crescente de baixas no decorrer dos anos motivou centenas de protestos no país. O governo teve de ceder para não perder eleitores, além de muito dinheiro e de preciosas vidas humanas.

   E tirou as tropas do Vietnã, em 1973, com o rabo entre as pernas. Derrotado. Como também ocorreu no Iraque em 2011, e no Afeganistão em 2021, por outros motivos.

   Invadir um país não costuma dar certo por muito tempo.  

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Cortes 247

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