Do palanque ao parlatório, Bolsonaro mantém a farda do combate ideológico
“Talvez seja mais fácil lembrar do que Bolsonaro não falou em nenhum dos dois lugares: como gerar empregos e renda, ou em como acabar com a desigualdade – ausências notórias no discurso de um presidente que toma posse num país cheio de iniquidades como o Brasil”, diz a colunista Helena Chagas, que integra a rede…
Helena Chagas é jornalista profissional, formada pela Universidade de Brasília. Trabalhou em diversos veículos, entre eles o Jornal de Brasília, O Globo, onde foi colunista política, chefe de redação e diretora da Sucursal de Brasilia, Estado de São Paulo e SBT. Escreve para a internet desde seus primórdios no Brasil e já teve blogs no IG, no site Comunique-se e no Globo on line. No setor público, trabalhou no Senado Federal, onde ingressou por concurso, foi Diretora de Jornalismo da EBC/TVBrasil em seus dois primeiro anos de existência e foi ministra chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República entre janeiro de 2011 e janeiro de 2014, na gestão Dilma Rousseff. Trabalha hoje como consultora de comunicação e faz análise política no site Os Divergentes e no grupo Jornalistas pela Democracia no Brasil 247.
Por Helena Chagas, para os Divergentes e Jornalistas pela Democracia – As palavras de Jair Bolsonaro no Congresso agradaram os parlamentares, alvo de um apelo por participação e união, mas este terá sido o discurso presidencial mais curto e genérico da história republicana recente.
Ao som de “mito!” e “o capitão chegou!!”, entoados pela multidão, Bolsonaro repetiu a dose, em tom mais descontraído e emocionado, falando no parlatório do Planalto o que dizia no palanque: falou do combate à corrupção e à criminalidade, não deu detalhes sobre como consertar a economia e, acima de tudo, reforçou a postura de combatente ideológico.
Talvez seja mais fácil lembrar do que Bolsonaro não falou em nenhum dos dois lugares: como gerar empregos e renda, ou em como acabar com a desigualdade – ausências notórias no discurso de um presidente que toma posse num país cheio de iniquidades como o Brasil.
No andar de cima, o establishment econômico notou outra ausência marcante, a da reforma da Previdência, que não foi expressamente citada em qualquer pronunciamento.
No parlatório, onde se deu a verdadeira festa da posse de Bolsonaro – com direito a discurso da primeira dama em libras – o presidente da República ficou à vontade para falar com todas as letras do que mais gosta, o combate ideológico.
Afirmou que vai tirar o viés ideológico das Relações Exteriores, comparou no mesmo patamar de gravidade o desemprego recorde à ideologização das crianças e disse que sua posse marcava ”o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo”.
No ato final, o mais dramático, o presidente recém-empossado pegou a bandeira do Brasil e disse que “ela jamais será vermelha” — a não ser pelo sangue quem derramará para salvá-la…
O Brasil — que, em parte, pode estar até mais feliz — foi dormir neste 1 de janeiro sem saber o que não foi revelado nem na campanha, nem na transição e nem na posse: o que Jair Bolsonaro vai fazer de verdade para melhorar a vida de quem precisa.
Helena Chagas é jornalista profissional, formada pela Universidade de Brasília. Trabalhou em diversos veículos, entre eles o Jornal de Brasília, O Globo, onde foi colunista política, chefe de redação e diretora da Sucursal de Brasilia, Estado de São Paulo e SBT. Escreve para a internet desde seus primórdios no Brasil e já teve blogs no IG, no site Comunique-se e no Globo on line. No setor público, trabalhou no Senado Federal, onde ingressou por concurso, foi Diretora de Jornalismo da EBC/TVBrasil em seus dois primeiro anos de existência e foi ministra chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República entre janeiro de 2011 e janeiro de 2014, na gestão Dilma Rousseff. Trabalha hoje como consultora de comunicação e faz análise política no site Os Divergentes e no grupo Jornalistas pela Democracia no Brasil 247.
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