Não custava uma delegação do governo viajar ao Uruguai para verificar se está dando bons ou maus resultados a política de maconha livre, se a violência diminuiu, se o consumo aumentou, se a arrecadação do governo melhorou, se as prisões esvaziaram, se os uruguaios viraram escravos da erva maldita e se arrastam pelas ruas feito zumbis.
Não custava aprofundar os debates com sociólogos, psicólogos, e outros especialistas, daqui e do exterior, sobretudo de países que já deram esse passo.
Não custava amadurecer propostas.
Mas não. O governo, atiçado pelo açodamento das redes sociais, que exigem soluções imediatas para problemas milenares, optou pela velha e mal sucedida política de guerra às drogas: mais repressão.
Como se não bastasse a Polícia Federal fiscalizar os portos e aeroportos, abrir as malas na alfândega, os militares terão o direito de abrir as malas também, como resumiu o ministro da Defesa, José Múcio.
Em vez de aniquilar e enfraquecer o crime organizado, a consequência será o seu enriquecimento. Os preços vão subir (já devem ter subido a essa altura) e os lucros vão crescer e vão possibilitar comprar metralhadoras que derrubam helicóptero e matam policiais, médicos, militares e juízes.
O crime organizado se fragiliza se perder o monopólio de sua principal fonte de renda: a maconha. É um produto que tem demanda fácil, fiel e ilimitada. Está sempre em falta, sobretudo nos feriados.
O governo sequer cogitou abrir o debate. Optou por uma GLO, que não é bem uma GLO, mas é uma GLO.
Milhões serão gastos, mais uma dor de cabeça para o Haddad.
E o pior: será enxugar gelo.
Ou enxugar GLO.
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