Cachaceiro, no bom sentido. João Luiz de Coutinho Faria, proprietário da Fazenda do Anil, em Vassouras (RJ), produz cachaça, embora admita que também gosta de uma branquinha. Ou amarelinha, não importa. E não produz uma simples cachaça. A sua tem um nome pomposo – Magnífica, homenagem à sua mulher, Cau, ex-Magnífica Reitora de uma universidade carioca – e prêmios acumulados. A Magnífica Soleira foi eleita a segunda melhor do Brasil no ranking de 2019 da Cúpula da Cachaça, na categoria Ouro (envelhecidas em madeira); a primeira foi a Vale Verde 12 Anos, de Betim (MG).
Ele faz a Magnífica desde 1985. “No começo foi difícil. Eu não sabia vender e tinha vergonha. Tive que aturar português bronco que dizia: pra mim a melhor cachaça é a mais barata”.
Para convencer os clientes que resistiam a experimentar a Magnífica, João Luiz fazia o ‘teste do copo’, que consiste em pegar três copinhos e colocar a Magnífica e outros dois tipos de cachaça quaisquer em cada um. Molham-se os copos e joga-se a cachaça fora. Bate um papinho até o álcool evaporar. Depois de alguns minutos é só cheirar cada copo para comparar qual deles tem o melhor perfume. A diferença é sempre óbvia.
Caipirinha
“A cachaça”, diz ele, “tem muita influência no sabor da caipirinha. A caipirinha é um coquetel muito simples, diferente de outros coquetéis, nos quais mistura-se dez coisas e você tem um novo gosto. Já a caipirinha não tem mistura de nada, é o destilado, a fruta e gelo. E açúcar, quando a fruta é ácida. Você sente o gosto da cachaça”.
Ele confessa que bebe cachaça todos os dias. E uma vez por mês faz, pessoalmente, a prova das barricas para fazer a mistura final. A prova consiste em tirar uma amostra de cada barrica do lote, por volta de 20 amostras, classificá-las por cor, cheiro e sabor e decidir quais serão misturadas para serem engarrafadas.
Soleira
Já a Soleira é diferente da branca e da envelhecida. A cachaça branca pode ser armazenada em aço ou até envelhecida no ipê, uma madeira que praticamente não interfere no gosto da bebida, apenas a amacia. Já a cachaça amarela é envelhecida, no caso da Magnífica, em barris de carvalho, que transferem o sabor da madeira à bebida. Ambas são envelhecidas por dois anos. Na soleira, o envelhecimento, também em barricas de carvalho, aplica-se o mesmo sistema usado para o rum e o xerez: a bebida não fica estacionada em uma barrica – o que às vezes pode variar um pouco o sabor e demanda um acompanhamento maior da qualidade -, muda de uma para outra de tempos em tempos, em sistema de rodízio, o que garante uma qualidade quase perfeita no sabor. Considerada um tipo de cachaça extrapremium, a soleira da Magnífica é a única no Brasil.
Sua última criação, lançada no ano passado, é a Bica do Alambique, uma cachaça “para profissionais”, como ele brinca, já que sua graduação alcoólica é de 485, o máximo permitido pela lei.
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