“Lava-Jato entrou em nova fase”. Será?
A prisão de Sérgio Cabral tem gerado reações contraditórias da mídia. Na linha da escandalização – que garante aumento das audiências e tiragens e serve também para desmoralizar a política –, ela tem exibido a ostentação vergonhosa do peemedebista. Antes blindado pela imprensa, até em função dos milhões em publicidade e de outras benesses do governo carioca, agora ele virou o vilão. É certo que não se dá o mesmo destaque dedicado aos famosos “pedalinhos” de Lula, que foram exibidos à exaustão nas telinhas de tevê. Mas as riquezas acumuladas – ou roubadas – pelo ex-governador são listadas: a lancha avaliada em R$ 5 milhões apreendida na marina do condomínio Portobello em Mangaratiba, onde ele morava; o helicóptero particular; a moto aquática; os automóveis de luxo com blindagem; as jóias e roupas de grife da ex-primeira-dama; as diversas obras de arte, entre outros bens caríssimos.
Matéria da Folha, publicada na sexta-feira (18), mostra até onde chegou a sensação de impunidade do ex-governador. “A propina do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) direcionada ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) pagou móveis, eletrodomésticos, veículos, máquinas agrícolas e até vestidos de festa para a ex-primeira-dama, Adriana Ancelmo. De acordo com o Ministério Público Federal, Cabral recebeu, em espécie, R$ 2,7 milhões da Andrade Gutierrez pelo contrato de terraplanagem do Comperj – o equivalente a 1% da participação da empreiteira na obra”.
“A suspeita dos procuradores é que, do valor total da propina, pelo menos R$ 950 mil tenham sido gastos em bens de alto valor, como os vestidos de Ancelmo, e em depósitos bancários de até R$ 10 mil… Somente nos seis vestidos da ex-primeira-dama, foram gastos R$ 57 mil. O casal também comprou dois mini buggies, com depósitos em dinheiro de R$ 25 mil, e equipamentos gastronômicos de uma empresa de eventos por R$ 72 mil, também em espécie. Máquinas agrícolas, automóveis e móveis também estão entre as compras supostamente feitas com propina. O próprio ex-governador recebeu, enquanto ainda estava no exercício do mandato, seis depósitos de R$ 9.900, em espécie”.
A mídia golpista também tem feito um baita esforço para vincular o ex-governador, agora presidiário, aos governos petistas. De fato, no pleito presidencial de 2010, quando Lula ostentava altos índices de popularidade, Sérgio Cabral – com o seu conhecido senso de oportunidade – apoiou a campanha pela eleição de Dilma Rousseff. Já em 2014, ele rompeu a aliança, tentou esconder os investimentos do governo federal no Rio de Janeiro e apoiou o cambaleante Aécio Neves. Os “calunistas” da mídia, porém, evitam citar o nome do chefão do PSDB. Afinal, todos os tucano são “santos” – até os que aparecem com este rótulo nas planilhas de propina da Odebrecht.
Mas não dá para negar os fatos. É só recolher os vídeos e fotos da última campanha para relembrar a aliança de Sérgio Cabral com Aécio Neves e a famosa chapa “Aezão” – o tucano para presidente e o peemedebista Luiz Fernando Pezão para governador do Estado. Os materiais eleitorais de deputados do PMDB também confirmam a sólida aliança. Mas nem precisaria tanto. Bastaria pesquisar o que foi publicado pela própria imprensa falsa e manipuladora. Em maio de 2013, o jornal O Globo publicou uma matéria que mostrava a relação – quase carnal – entre os dois políticos matreiros:
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“O jantar que reuniu governadores do PMDB, além de ministros e líderes do partido, em Brasília, transformou-se em um muro de lamentações contra o PT e contra o governo federal. E couberam ao governador Sérgio Cabral as maiores e mais duras críticas. Como previsto, Cabral deixou claro no encontro que não deverá apoiar a reeleição de Dilma caso o PT lance um candidato para a disputa estadual contra o vice-governador Luiz Fernando Pezão. O senador Lindbergh Farias é pré-candidato do PT à sucessão de Cabral. E, para completar, citou sua íntima relação com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato do PSDB contra Dilma.
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A relação entre Sérgio Cabral e Aécio Neves é tão estreita que a imprensa venal até poderia especular sobre negócios suspeitos entre ambos. Bastaria lembrar que em 2012 o senador mineiro foi um dos principais responsáveis pela não convocação do amigo carioca para depor na CPI do Cachoeira. Na ocasião, as denúncias envolvendo o mafioso com Fernando Cavendish, da construtora Delta, já eram conhecidas e as festanças do empresário com o governador em Paris vazaram na mídia. Neste caso, vale relembrar a reportagem de Adriano Ceolin, postada no iG em 30 de maio daquele ano:
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