O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), deixa o cargo com 70% de aprovação popular. Sua sucessora e amiga, Claudia Sheinbaum, cientista climática e, como ele, também de esquerda, toma posse nesta terça-feira (1). A popularidade de AMLO é resultado da sua comunicação diária e direta (a chamada ‘Mañanera’, entrevistas à imprensa), da redução da pobreza, da estabilidade econômica e de obras de infraestrutura no país.
Defensor da história, da independência e da diversidade mexicana, López Obrador escreveu, em 2019, uma carta ao rei da Espanha, Felipe VI, propondo que a monarquia reconhecesse os atos violentos da conquista do país asteca. A missiva não teve resposta. A presidente eleita, sintonizada com os pensamentos e atitudes do presidente, decidiu não convidar o rei para sua posse. Nas cerimônias de posse de presidentes dos países da América Latina (América hispânica), o rei costuma marcar presença. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha divulgou um comunicado dizendo que a falta do convite ao rei era “inaceitável”. López Obrador afirmou que o México merece “respeito” e, por isso, o imperador não foi convidado. “Para que saibam que o México já não é colônia de nenhum país estrangeiro”, disse.
O presidente e sua sucessora, ambos do partido Morena, são defensores dos direitos dos indígenas e de seus ancestrais, atingidos pela colonização espanhola há pouco mais de 500 anos. Claudia Sheinbaum começou a se destacar politicamente nos movimentos estudantis, nos anos oitenta, contra o neoliberalismo que começava a ganhar terreno na América Latina. Era estudante na Universidade Autônoma do México (UNAM) quando liderou o movimento contra a cobrança de mensalidades na instituição estatal, onde estão murais incríveis de Diego Rivera e David Alfaro Siqueiros. (O campus é aberto à visitação.)
Engenheira, com especializações em desenvolvimento sustentável, Claudia Sheinbaum, de 61 anos, foi chefe de governo (prefeita) da Cidade do México. Ela será a primeira mulher na presidência do país de 130 milhões de habitantes, 200 anos após sua independência da Espanha. ‘Claudia’, como é chamada pelos mexicanos, foi eleita chefe de Estado pela coalizão “Sigamos fazendo história” e está ciente dos desafios ainda existentes no país vizinho dos Estados Unidos.
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