Opinião

Lula não precisa ir à posse de Milei para manter boas relações com a Argentina

“Lula não precisa se expor a este evento da extrema-direita internacional. O brasileiro é hoje um líder global”, escreve Aquiles Lins

Lula e Milei
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deveria comparecer à posse do presidente eleito da Argentina, Javier Milei, membro da extrema-direita internacional, marcada para o próximo dia 10 de dezembro. A ficha do novo chefe de estado argentino supostamente começou a cair e Milei escreveu uma carta a Lula convidando-o para sua posse. 

Depois de se referir ao líder brasileiro como “ladrão”, “comunista furioso” e “ex-presidiário”, Javier Milei jura que pretende realizar um “trabalho frutífero” e reforçar os laços entre os dois países. A carta foi entregue por Diana Mondino, futura chanceler do governo Milei, durante um encontro com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. 

“Sei que o senhor conhece e valoriza cabalmente o que significa este momento de transição para o processo histórico da Argentina, seu povo, e naturalmente para mim e minha equipe de colaboradores que me acompanharão na próxima gestão do governo”, afirmou Milei na carta. 

As palavras têm um jeitão de conversa para boi dormir. E Lula, como atesta sua trajetória, está muito longe de ser gado. Lula não precisa se expor a este evento da extrema-direita internacional. O brasileiro é hoje um líder global, amado e odiado por muitas pessoas ao redor do mundo. Não há necessidade do presidente se expor a um evento minado, do qual também participará o ex-presidente genocida Jair Bolsonaro e seu séquito de políticos da extrema-direita brasileira.

Não é demais lembrar que a ex-presidente a atual vice-presidente Argentina, Cristina Kirchner, foi vítima de uma tentativa de assassinato no dia 1º de setembro de 2022. Um extremista de nacionalidade brasileira apontou uma pistola para a cabeça de Cristina, mas a arma falhou e a bala não saiu. Lula deve zelar por sua segurança. Não ir à posse de Milei não diminuirá o apreço de Lula pelas relações históricas e de estado com a Argentina. Mas, dada a hostilidade empregada pelo extremista argentino contra o brasileiro, Lula deveria aguardar um tempo antes de visitar o vizinho. 

Além de carta, mais demonstrações de respeito ao Brasil e ao seu presidente precisam vir de Javier Milei, se ele quiser, de fato, construir algo positivo com Lula. Até lá, o Brasil já tem muitas demandas que exigem a atenção do nosso presidente.

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