Me convidaram para uma entrevista, cujo tema era “Marta vice de Boulos”.
Declinei.
Quem pode falar melhor sobre isso é, pela ordem: a direção municipal do PT de São Paulo capital, a direção estadual e nacional do Partido, os respectivos Grupos de Trabalho Eleitoral e, claro, Boulos e o PSOL.
Há bons argumentos a favor de Marta como vice, entre os quais se destaca a lembrança positiva acerca de seu governo, quando ela foi prefeita de São Paulo.
Embora também haja quem diga que esta lembrança era muito mais forte em 2016, ocasião em que Marta foi candidata a prefeita (pelo MDB) e ficou em quarto lugar, com pouco mais de 10% dos votos.
Mas isso são coisas do tempo em que ela dizia que Fernando Haddad era o “pior prefeito de São Paulo”.
Enfim, muita água passou debaixo da ponte desde 2019 e, claro, é positivo que Marta vote, apoie e inclusive queira participar de candidaturas de esquerda.
Acontece que, para ser vice de Boulos, Marta precisa estar filiada a algum Partido que apoie a candidatura de Boulos.
Não é o caso do MDB, partido ao qual ela se filiou ao sair do PT, inclusive participando até há pouco do governo Nunes, atual prefeito de São Paulo capital e um dos adversários de Boulos.
Há várias alternativas de partidos aos quais Marta poderia se filiar. Mas, segundo consta, ela prefere voltar para o PT.
Direito dela, compreensível aliás…
Mas para que Marta volte ao PT, não basta o apoio de quem quer que seja, mesmo que esse alguém seja o presidente da República e principal liderança do Partido.
Segundo o estatuto do PT, cabe uma decisão formal a respeito, decisão que compete à direção do Partido.
Salvo engano, diz o estatuto o seguinte: “A filiação de líderes de reconhecida expressão, detentores de cargos eletivos ou dirigentes de outros partidos deverá ser confirmada pela Comissão Executiva Estadual e, no caso de mandatários ou mandatárias federais, pela Comissão Executiva Nacional”.
“Excepcionalmente, (…), é facultada a filiação perante o Diretório Estadual ou Nacional, que deverá ser aprovada pela maioria absoluta de seus respectivos membros”.
Tendo em vista a relevância nacional do caso, defendo que a decisão seja tomada pelo Diretório Nacional, mesmo que sob a forma de recurso.
E defendo que a direção não aceite a filiação.
O motivo principal é o seguinte: Marta traiu seu eleitorado e seu Partido, ao participar do golpe contra Dilma.
Detalhes aqui: Marta vota pelo impeachment e fala em governo de “união nacional (jornalggn.com.br)
Outro motivo: o voto de Marta contra os trabalhadores, na reforma trabalhista.
Detalhes aqui: Reforma Trabalhista Como Votaram os Parlamentares (spbancarios.com.br)
Para além disso, cabe lembrar que ela saiu do PT, em 2015, alegando constrangimento com as acusações de corrupção.
Detalhes aqui: “Constrangida” por escândalos de corrupção, Marta deixa o PT (terra.com.br)
E, para não dizer que não falei de flores, tem o episódio registrado na foto que ilustra este post.
Lembrando sempre que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Uma coisa é ser vice de uma chapa apoiada pelo PT ou mesmo ser vice de uma chapa encabeçada pelo PT.
Outra coisa é aceitar no Partido quem fez o que fez. Certas violências não merecem perdão, nem absolvição.
ps. sou obrigado a lembrar desses fatos, porque se colocou em discussão a volta dela para o PT. Se a discussão fosse apenas sobre a vice, a discussão teria tomado outro rumo. Afinal, uma coisa é ter alguém como vizinho, outra coisa é dividir a mesma casa.
ps. o excesso de velas põe fogo na igreja. O excesso de pragmatismo pode acabar com a saúde do pragmático.
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