(Off) “Com a palavra herr…ops, o presidente da República, Javier Milei”.
“Argentinos e argentinas! Trago boas novas! Já se vêem resultados concretos do meu governo em vários setores e aspectos da nossa vida em apenas poucos dias, apesar dos que sofrem da Síndrome de Estocolmo tentar enganá-los. Passo a palavra ao nosso ministro da Economia”.
“Muito obrigado, herr…ops, senhor presidente. O desempenho da nossa indústria tem sido surpreendente. Destaco, sobretudo, a indústria metalúrgica. Houve um incremento de 15.000% na produção de panelas, o que é uma pá de cal nas declarações dos eternos insatisfeitos que dizem que os argentinos não têm o que comer. As panelas estão se tornando o objeto de desejo de grande parcela dos argentinos e esperamos que nos próximos meses a casta também adira. Aqui está Papai Noel que não me deixa mentir”.
“Ho, ho, ho… saludos a todos e todas! Não tenho mais dúvidas que este país mudou. Em mais de 90% das cartinhas me pedem panelas. Panelas de todo tipo. Pequenas para as crianças. Azuis para meninos, cor-de-rosa para meninas. Maiores para adultos. Frigideiras. É uma verdadeira febre nacional, não é, sr. ministro da Saúde?”
“Sem dúvida. A paixão dos argentinos pelas panelas choca o mundo civilizado. Bater panelas virou esporte nacional, sob aplausos dos médicos por ser relaxante e saudável, pois é praticado ao ar livre e especialmente à noite quando a temperatura é mais amena. Segundo estudos confiáveis, a cada dez minutos batendo panela com uma colher, o cidadão ou cidadã queima 1.800 calorias. E ainda fortalece o muque. Passo a palavra ao Sr.ministro da Cultura”.
“Nossos artistas não têm outro assunto. Não pensam em outra coisa. Escultores se esmeram em criar as panelas mais exóticas e mais expressivas com os materiais mais inusitados. Dramaturgos de vanguarda pesquisam as relações das panelas, seus conflitos e suas esperanças. Romances que não versam sobre panelas são recusadas pelos livreiros. ‘Os leitores só levam livros sobre panelas’ explicam. Os maestros estão incluindo panelas nas orquestras sinfônicas. E assim criando mais empregos. Panela é cultura e muito mais, não é mesmo, sr. ministro do Esporte?”
“Exatamente. Nós, que já somos os melhores do mundo no futebol, em breve seremos os melhores também em bater panela. Logo, logo teremos o nosso Messi das panelas. Vamos deixar os brasileiros para trás, mais uma vez. Já estamos ingressando com um pedido para o novo esporte ser incluído nas próximas Olimpíadas. E tudo isso graças ao nosso querido herr…ops, presidente Milei, a quem passo a palavra”.
“Viram? É tempo de comemorar! No hay plata, pero hay panelas. Gostaria de completar, sra. ministra da Segurança?”
“Sim. Quero lembrar que só será tolerado bater em panelas de madeira com talheres de plástico, dentro do perímetro do quarto de cada um, e com as janelas fechadas. Quem desobedecer ficará sem todas as suas panelas (não só as que estava batendo) e será proibido de comprar novas nos próximos quatro anos”.
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