Opinião

Não foi sabotagem

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Embora não tenhamos, ainda, conclusões oficiais da perícia, depoimentos de duas testemunhas oculares permitem derrubar a hipótese de que a morte do ministro do STF Teori Zavask teria sido provocada por algum tipo de sabotagem na aeronave que o transportava a Paraty.

De acordo com um pescador e o dono de um veleiro, entrevistados agora há pouco por repórteres da Globo News, o King Air não caiu de uma grande altitude e espatifou no mar. O piloto voava baixo tentando encontrar, em meio a nuvens que impediam a visão, a pista do pequeno aeroporto da cidade e, a uma determinada altura uma das asas tocou a água e o avião submergiu.

O mais provável, portanto, é que os cinco ocupantes tenham morrido afogados, pois não houve tempo para abrirem a porta da aeronave.

Enterradas as teorias da conspiração que inundaram as redes sociais entre ontem e hoje, cabe analisar os desdobramentos desse, agora sim, “pavoroso acidente”.

Não há dúvida de que o governo Temer foi o grande favorecido. Tudo o que o presidente e seus ministros queriam era adiar o máximo possível a revelação das delações da Odebrecht que atingem o presidente da República.

O ritmo dos procedimentos fazia crer que isso ocorreria em fevereiro, mas, agora, é impossível prever quando será.

O regimento do STF determina que em caso de inabilitação do relator o caso deve ser entregue a quem for nomeado em seu lugar. Mas, como toda regra tem a sua exceção também permite que o presidente do STF redistribua o processo a outros ministros da turma encarregada do caso.

Seja como for, qualquer das opções vai acarretar uma razoável perda de tempo. A nomeação de um novo ministro, além de ser um caminho muito mais demorado, vai gerar intermináveis discussões.

Quem nomeia é o presidente da República, com posterior autorização do Senado. Mas, nas atuais circunstâncias, o presidente da República é um dos nomes mais citados nas delações. Esse fato não o impediria de nomeá-lo? E, se o nomear, o novo ministro terá isenção para relatar contra aquele que o nomeou?

Se a ministra Carmen Lúcia redistribuir o processo entre os seus pares também haverá atraso, pois ao novo relator terá de ser concedido um prazo razoável para examinar tudo o que Teori já tinha examinado antes de se pronunciar.

O “acidente pavoroso” vai dar fôlego para o governo seguir antes de ser engolido pelo mar de lama que se prenuncia no horizonte.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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