Quando Temer pede pressa para quebrar o sigilo das delações da Odebrecht, ele quer dizer que isso deve ficar para daqui a uns dois anos e, de preferência, para o dia de são nunca.
Quando ele quer dizer que se seus ministros que forem delatados devem responder por seus atos, o que ele quer dizer é que vai continuar protegendo-os de todas as maneiras, seja criando ministérios para eles, como no caso de seu melhor amigo Moreira Franco, seja colocando no STF seu melhor lacaio Alexandre de Moraes.
Um voto no STF pode parecer muito pouco porque há outros dez em jogo, mas sempre é bom contar com alguém que não terá o menor problema em pedir vistas num processo qualquer e engavetá-lo per secula seculorum.
Quando ele diz que ficou satisfeito com a vitória de Rodrigo Maia na Câmara dos Deputados, ele quer dizer que o novo presidente da Câmara é, no frigir dos ovos, ele mesmo, o que significa que ele é também o vice-presidente dele mesmo.
O fato concreto é que Temer acumula, de fato, três presidências. E a que menos exerce é a de presidente da República.
Como presidente do PMDB, ele se empenha e vai continuar se empenhando em manter seus correligionários e aliados, principalmente do PSDB, blindados contra a Lava Jato ou outras intempéries quaisquer, pois sabe, velha raposa que é (e ponha “velha” nisso) que se não o fizer vai perder a sua folgada maioria na Câmara e no Senado.
Como presidente da Câmara dos Deputados vai colocar em votação tudo o que interessa ao establishment financeiro e midiático que o sustenta no poder.
Quando diz que não se preocupa com popularidade, ele quer dizer que, enquanto a mídia não conspirar contra ele (leia-se Rede Globo), nenhum pato amarelo irá desfilar na Avenida Paulista.
Para entendê-lo é preciso entender que, no mundo de Temer, nada é o que parece.
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