Opinião

Novo golpe midiático tupiniquim em marcha, agora, contra Lula

“Está em curso novo golpe neoliberal, apoiado pelos mesmos golpistas midiáticos que se juntaram para derrubar o governo Dilma, em 2016”, escreve César Fonseca

Lula
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Foi a ex-presidenta Dilma Rousseff que inventou esse negócio de conceder crédito tributário de PIS-Cofins para os capitalistas aumentarem suas taxas de lucro cadentes. 

Por que estavam em queda a lucratividade capitalista naquela ocasião, 2011 em diante? 

Simples: porque os capitalistas são adeptos do arrocho salarial e o resultado desse procedimento empresarial, todos sabem, é diminuição do poder de compra da população assalariada. 

Tivessem os trabalhadores salários dignos, na linha da social democracia europeia, por exemplo, os capitalistas tupiniquins seriam os mais beneficiados. 

Afinal, trabalhador não poupa o que ganha que já é muito pouco, prefere gastar tudo, o que enche o bolso dos capitalistas, sempre assim. 

Os capitalistas reagiram violentamente à tentativa de Lula de acabar com essa benesse para dispor mais recursos para fazer política social, cujos beneficiados seriam os próprios empresários, com elevação do poder de compra interno.

Impuserem, com apoio de Congresso conservador, antidesenvolvimentista, violenta derrota ao presidente.

Ora, é claro que se continuar como está, com os empresários forçando descolamento do salário mínimo valorizado, centro da política distributivista de renda de Lula, dos reajustes dos benefícios sociais assegurados pela Constituição, ao corrigi-los pela inflação, o país vai à recessão. É matemático. 

Assim como a continuidade da regra distributiva aumentará consumo, renda, produção, arrecadação e investimento – o silogismo capitalista histórico – que bombeia comércio, indústria e serviço, elevando o PIB e distribuindo riqueza, destruir essa regra aumentará a pobreza. 

COMBATER EMPREGO, NÃO O DESEMPREGO – O Banco Central Independente, comandado pelo bolsonarista neoliberal, Campos Neto, agora, resolve argumentar que não se pode elevar o nível de emprego, porque, assim, aumenta a capacidade agregada, que forçaria  inflação. 

O remédio para evitar isto, ou seja, para produzir desemprego, de modo a equilibrar a pressão que dizem provocar inflação, é juro alto. 

Ora, a história desmente esse argumento a partir do crash de 2008.

Naquele ano, em que a especulação financeira atingiu o auge e levou à corrida bancária, produzindo bancarrota de grandes monopólios, como o Lemman Brothers, nos Estados Unidos, o que fez o Banco Central dos Estados Unidos? 

Elevou, sem limites a quantidade da oferta de moeda na circulação capitalista, cujas consequências não foram o que os neoliberais proclamaram, ou seja, hiperinflação, mas deflação, derrubando juros e dívida pública. 

Aumentar a quantidade de moeda circulante, única variável verdadeiramente independente no capitalismo, segundo o maior economista do século 20, John Maynards Keynes, produz quatro fatores simultâneos: 

1 – eleva preços; 

2 – reduz salários; 

3 – diminui juros de dívida contratada a prazo e 

4 – aumenta lucro dos capitalistas, o que Keynes denominou de “Eficiência marginal do capital”. 

FIM DE FARSA HISTÓRICA – Os neoliberais que diziam que inflação é fenômeno monetário que requer juro alto para controlar alta dos preços se desmoralizaram, completamente. 

Então, o que os capitalistas estão esperando para ganhar dinheiro na produção senão defender redução dos juros e da dívida pelo aumento da oferta monetária? 

Não fazem isso para não empoderar os trabalhadores, que eles forçam sempre para viver na miséria em nome do aumento dos seus lucros por meio da mais valia crescente. 

Esse movimento do capitalismo, que foi ao crash em 2008, comprovou que o sistema não quer a distribuição da renda global para não ter que dividir seus lucros com os assalariados, em decorrência do próprio silogismo capitalista, que caminha não para distribuição, mas para acumulação de capital. 

Preferem reduzir a produção, mantendo salário baixo, para manter alta sua taxa de lucro, enquanto jogam maior parte da sua renda na especulação gerada pelos juros altos. 

É a estratégia da financeirização frente à tendência capitalista de redução da taxa de lucro no processo de concentração de capital.

É isso que fazem os proprietários da grande mídia tupiniquim, combatendo a melhor distribuição da renda lulista por meio da valorização dos salários, no embate feroz da luta de classe.

ACABAR COM SALÁRIO MÍNIMO JÁ – Nesse momento, a batalha desses reacionários é uma só: desvincular reajuste do salário mínimo, que se espraia pela cadeia produtiva, dos reajustes dos benefícios sociais, especialmente, da previdência social. 

Dizem que a Previdência, como ressalta editorial combinado da Folha, Globo e Estadão, consome 12% do PIB, mas esquecem de destacar que os juros especulativos que os enriquecem, tomam do povo 7% do PIB. 

Com uma diferença: os 12% do PIB gastos com os aposentados voltam para a circulação capitalista em forma de consumo, o que beneficia economia como um todo. 

Já os 7% do PIB que enchem a pança dos especuladores escorrem pelo ralo, jamais retornam à circulação produtiva, acelerando empobrecimento geral da população, enquanto sobreacumula capital e aumenta desigualdade social.

O sistema especulativo da dívida pública virou mecanismo cruel de enriquecimento de uma minoria em detrimento da maioria. 

Os economistas neoliberais apregoam reforma urgente da Previdência em nome do ajuste fiscal neoliberal, mas silenciam sobre maior fonte de déficit público, a sangria dos juros, sem nenhuma correspondência com o desenvolvimento econômico sustentável. 

Defendem esse jogo cruel, tirânico, contra o povo, levantando a bandeira neoliberal do Banco Central Independente(BCI), serviçal da Faria LIma, de que Lula pressiona inflação, elevando nível de emprego e desenvolvimento do país. 

Usam, para tanto, a força de um Congresso semiparlamentarista de direita e ultradireita inconstitucional para brecar o governo desenvolvimentista lulista sob presidencialismo constitucional. 

Dessa forma, está em curso novo golpe neoliberal, apoiado pelos mesmos golpistas midiáticos que se juntaram para derrubar o governo Dilma, em 2016, por meio de impeachment sem crime de responsabilidade para caracterizá-lo.

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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