Opinião

O Brasil com um parafuso a menos

“Quando até a Veja faz oposição, a M. Leitão troca economia por oceanografia e a V. Magalhães desanca as FFAA, temos que avisar à Marieta que a coisa tá preta”

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Por Hildegard Angel, para o 247

Não foi essa foto da capa da VEJA, com o carão assustador do coiso e seu olhar fuzilando ódio e malignidade e inspirando psicopatia o motivo de a Gol retirar a revista de suas aeronaves, por pressão de Flávio Bolsonaro.

O motivo foi o CONTEÚDO da matéria da capa, que descreve o passo a passo de uma reunião no Palácio do Cacique Palmito (origem do apelido Mito) com seus generais, todos pintados pra guerra, captando odores de conspiração até na fumaça do cafezinho, rastreando e palmilhando cada milímetro das próprias cabeças para encontrar algum pelo em ovo, mesmo que seja a mais rala penugem, e nada de real descobrem que confirme suas desconfianças de que a urna eletrônica é a fonte de todos os males que desestabilizam Bolsonaro. 

Querem encontrar um parafuso a menos na urna, quando o que parece não estar batendo bem são as respectivas urnas cerebrais. 

Nos seus pontos de vista, todas as culpas são da maléfica urna fraudadora, que teria melado até a eleição de Aécio pra eleger Dilma (ops!). 

Não, nao foram o péssimo governo, a inflação, a estagnação econômica, a maior marcha à ré da economia da história do país, os 130 milhões em instabilidade alimentar, que não sabem se comerão amanhã, e os 30 milhões que há tempos não comem, o recorde histórico de desemprego, a selvageria dominante, os feminicídios se multiplicando, os cortes de verbas para educação, saúde, ciência, infraestrutura, o descontrole ambiental, as queimadas das florestas, a devastação pelo garimpo ilegal, a corrupção pipocando mais do que varíola do macaco, o desprezo da comunidade internacional por Bolsonaro (asco, nojo) e, agora, essa reveladora matéria da VEJA! No mau sentido, é claro, já que até a Faria Lima ficou ciente do índice de QI dos militares que aconselham Bolsonaro e, pior, que o levam a sério.

Os mais distraídos podem pensar estar lendo um roteiro do filme do Borat, personagem pateta do Cazaquistão, mas é o Bolsonaro, pateta do Brasil.

Moral da história: quando até a Veja faz oposição, a Miriam Leitão troca a economia por oceanografia e a Vera Magalhães desanca as Forças Armadas, temos que avisar à Marieta que a coisa aqui está preta.

(parodiando “Meu caro amigo”, do Chico)

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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