Opinião

O Brasil teve medo de ser grande

“Todos nós fomos alçados a uma grande maldição. A maldição de ver realizada toda a fantasia que criamos contra o PT. Gente bandida, corrupta, assassina, incompetente, anti-Brasil e anti-ser humano é essa gente que está exatamente agora dando as cartas no Planalto”, diz o colunista Gustavo Conde, sobre a convulsão política que atravessa o país

Navio afundando e plataforma
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Duas imagens que remontam à era FHC: à direita, a P-36, plataforma da Petrobras que afundou em 2001, momento em que quase se privatizou a empresa.

À esquerda, o navio MV Stellar Banner, contratado pela Vale, que afunda neste exato momento no litoral do Maranhão com 294,8 mil toneladas de minério e 3,5 mil toneladas de óleo residual, podendo provocar mais uma catástrofe ambiental.

A Vale, privatizada por R$ 3,3 bilhões, com dinheiro do BNDES.

É esse projeto que está em curso nesse momento, o projeto de FHC nas mãos de Paulo Guedes – Bolsonaro é só um palhaço útil usado para impedir o PT.

E pensar que nos governos Lula e Dilma, nós tiramos a indústria naval do zero para a elevarmos à quarta indústria naval do mundo, gerando uma quantidade imensa de empregos diretos e indiretos.

Nós construíamos navios e plataformas e nessa ‘tocada’ foi descoberto o pré-sal, que é o que segura a economia brasileira hoje, respondendo por mais da metade da produção da Petrobras.

Querem discutir o país? Racionalmente?

Racionalmente não dá, é óbvio, porque senão teríamos de dizer que o PT foi o melhor governo da história e é o partido com os melhores quadros técnicos e políticos do país, disparado.

Essa imprensa que se faz de vítima hoje apenas cumpre o seu papel de prosseguir escondendo a gigantesca precariedade econômica que o país atravessa hoje – como escondeu nos governos FHC.

Todos nós fomos alçados a uma grande maldição. A maldição de ver realizada toda a fantasia que criamos contra o PT. Gente bandida, corrupta, assassina, incompetente, anti-Brasil e anti-ser humano é essa gente que está exatamente agora dando as cartas no Planalto.

Gente que insulta a imprensa e o povo. Gente que emprega parentes. Gente que frauda verbas de gabinete. Gente que detesta a democracia.

Tirar um governo democrático e legítimo através de um golpe nos levou a essa maldição de ver realizadas todas as fantasias que criamos contra o PT: quem destrói, a Amazônia, cara pálida? Quem rifa reservas indígenas? Quem abandona o litoral brasileiro a manchas de petróleo? Quem convoca manifestações contra o Congresso? Quem está envolvido em crime e execuções de políticos de esquerda? Quem queima as nossas reservas?

É por isso que não há condições de discutir racionalmente o país. Quando um segmento político é tão competente que vence com argumentos todos os debates sobre governança pública, extermine-se a racionalidade.

Só que essa “solução” custa caro.

A maior autocrítica que teria de ser feita nesse Brasil devastado pelo ódio e pela incompetência é a autocrítica da imprensa e de setores conservadores da sociedade brasileira que embarcaram na aventura do impeachment sem crime de responsabilidade.

É por isso que se pede tanta autocrítica ao PT: porque esses que a pedem são os maiores devedores de autocrítica da história brasileira.

E a única explicação para tamanho suicídio, para tamanha loucura de entregar o país aos piores tipos de criminosos, só pode ser a de que o Brasil teve medo. 

Aquele medo da atriz Regina Duarte era real, mas não era o medo do desastre que agora se realiza. Era o medo da conquista, o medo da responsabilidade, o medo do protagonismo.  

O Brasil, caras pálidas, teve medo de ser grande.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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