O jornal Folha de S.Paulo publicou, hoje, um suposto spoiler do discurso que Marta Suplicy fará no ato convocado para esta sexta-feira, 2 de fevereiro, em que ela vai se refiliar ao PT.Para quem não leu, está aqui. Digo suposto spoiler, porque prefiro aguardar o que Marta de fato dirá.
Aliás, um passarinho me contou, há muitos dias, que Marta poderia fazer algum tipo de autocrítica, o que além de ser o correto, também tornaria mais fácil a vida dos que, mesmo apoiando a sua candidatura à vice, tem restrições maiores ou menores a seu regresso ao PT.
Espero que o passarinho tenha razão. Não que isso cancele a impugnação, que será reapresentada amanhã; mas por uma preocupação mais estratégica, digamos assim.
Explico.
Espero que Marta faça, em seu discurso, alguma autocrítica – mesmo que com baixas taxas de sinceridade e altas taxas de conveniência – em relação aos ataques que nos fez, quando saiu do Partido; em relação a seu voto em favor do golpe disfarçado de impeachment; em relação a seu voto, no Senado, em favor de medidas extremamente graves contra a classe trabalhadora; em relação a sua participação recente em campanhas eleitorais e no governo Nunes, confrontando o PT.
E assim espero, porque se Marta não fizer alguma autocrítica, especialmente em relação a sua participação no golpe de 2016; e se, mesmo assim, o Diretório Nacional do PT derrotar a impugnação de sua filiação; então na prática uma parcela importante do Partido estará aderindo oficialmente à tese de que em 2016 não ocorreu um golpe.
Para esta parcela do Partido, golpistas passarão a ser apenas os de 8 de janeiro de 2023. Os de 2016, não precisarão de esquecimento, perdão nem anistia, porque suportamente não teriam cometido crime algum.
Afinal, uma coisa é fazer uma aliança com um golpista de 2016, tendo como objetivo derrotar a extrema-direita. Outra coisa, bastante diferente, é refiliar este golpista, com toda pompa e circunstância, no seu “aconchego”, como diz a trilha sonora de um vídeo que está sendo amplamente divulgado.
Enfim, aguardemos para ver se pelo menos as aparências serão minimamente mantidas.
De resto, espero que opção por “ir ao centro”, na campanha municipal de São Paulo capital, tenha os efeitos pretendidos. Pois se tem algo pior que pragmatismo, é pragmatismo sem resultados.
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