Opinião

O massacre de Paraisópolis e a nossa covardia

Paraisópolis é a nossa vergonha e o rosto escroto das opções que o país tem feito, mas também é a cara da nossa covardia. Nós continuamos calados. Pasmados

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Mataram oito meninos e uma menina em Paraisópolis, São Paulo. Todos entre 14 e 23 anos. Assassinados pelo fascismo e pela violência policial. Pelo dedinho do Estado que atira na cabecinha. E nós? Que fazemos? Vamos tomar uma cerveja com os amigos e reclamar da vida e dos dias ruins que estamos vivendo?

Estamos anestesiados esperando a próxima chacina? Estamos esperando o morro descer? Estamos culpando o povo pela situação de merda que estamos passando, quando na verdade foi majoritariamente a elite e a classe média deste país que pediu a barbárie?

Nossos sindicatos, ONGs, artistas, intelectuais, estudantes, meios de comunicação vão ficar olhando jovens de periferia serem assassinados assim? Vão ficar esperando que a galera se vire sozinha?

É esta a nossa noção de solidariedade, de fraternidade e de defesa dos Direitos Humanos e de Justiça Social?

Cadê a galera chamando atos? Cadê artistas fechando teatros em protesto? Cadê a Paulista toda usando preto e gritando Luto por Paraisópolis? Cadê sindicatos parando o trânsito no Morumbi pra chamar a atenção daqueles que ali do lado podem fazer muito mais por esses meninos e meninas?

Vai passar batido? Não é com a gente? Não são nossos filhos, sobrinhos, primos?

Ou vamos esperar um movimento que exploda de forma desorganizada e complique ainda mais a complicada situação democrática?

Paraisópolis é a nossa vergonha e o rosto escroto das opções que o país tem feito, mas também é a cara da nossa covardia. Nós continuamos calados. Pasmados.

Não deveria ser assim. Não deveria ser assim.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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