Opinião

O nacionalismo de Sérgio Moro

O xenófobo que quer fechar fronteiras a imigrantes é rotulado de nacionalista

Sergio Moro em evento de filiação ao Podemos, em Brasília
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Ouvir Sérgio Moro lendo um discurso longo e inodoro como o de sua filiação ao Podemos é um teste de sobrevivência ao tédio. Um centenário jornal da gloriosa Sorocaba encontrou teor “nacionalista” no palavrório do ex-juiz. Sem desdenhar dos valorosos colegas da cidade paulista em que este jornalista tem raízes, nenhuma análise daquilo poderia ser mais inapropriada.

Não há conceito único de nacionalismo. O xenófobo que quer fechar fronteiras a imigrantes é rotulado de nacionalista. Também é chamado assim quem defende alguma dose de protecionismo para desenvolver a indústria nacional.

Não se sabe o que Moro pensa sobre recepcionar imigrantes, mas é conhecida a relação dele com a indústria nacional – a de petróleo e derivados, por exemplo. A Petrobras lida com riqueza extraída do subsolo brasileiro, ouro preto que pertence ao povo e que, desde o governo usurpador de Michel Temer, escoa para mãos multinacionais.

Com a sua Operação Lava Jato, Moro foi decisivo para a descaracterização da Petrobras como empresa estratégica para o desenvolvimento nacional. Além disso, no soporífero discurso de 10 de novembro, o ex-magistrado praticamente anunciou que, uma vez no comando do país, privatizará quase tudo.

O que deu no jornal sorocabano?

Moro e a Lava Jato, operada por Deltan Dallagnol e seus meninos, também destroçou uma empresa brasileira do porte da Odebrecht, adotando medidas judiciais não apenas contra seus diretores corruptos, mas contra a companhia, como se CNPJs cometessem crimes. Com a queda da Odebrecht, milhares de empregos desapareceram e o país perdeu protagonismo global em obras de engenharia.

Pode-se afirmar, sem medo de errar, que a Operação Lava Jato constituiu um movimento antinacionalista. Ou terá sido por acaso que Moro, após pular do barco bolsonarista, virou sócio-diretor da Alvarez & Marshal, consultoria americana especializada em “reestruturação corporativa”, ou seja, em limpar a barra de empresas ficha-suja?

Nacionalistas no bom sentido também costumam prezar pela soberania e a independência nacionais, tanto mais quanto a seus órgãos judiciais, como a Polícia Federal. Ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro, ao lado de Maurício Valeixo, então diretor da PF, assinou acordos com o FBI ampliando a influência americana em diferentes áreas de combate ao crime, “incluindo a presença dos agentes estrangeiros em um centro de inteligência na fronteira, investigações sobre corrupção e acesso a dados biométricos brasileiros”, como noticiou a Agência Pública.

Como sabem os informados, entre os quais não se enquadram alguns jornalistas sorocabanos, o FBI não tem jurisdição no Brasil.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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