Opinião

O sapato – uma crônica republicana

“Afinal, o sapato custava 150,00. E nossa Cristina… precisava comer, nem que fossem ossos assados…”

Cristina sempre foi alegre, ou melhor alienada. A culpa não era dela. Claro que não.

Fez uma graduação, e achava chique assistir à Globo News. Ler? Nem pensar. Bastavam às indicações fragmentárias da universidade (empresarial) e pronto. Já estava bem apta a ser a massa de manobra certa para ocupar o nicho intermediário de poder. Mal sabia que o nicho que ela passou a ocupar ficava na base da pirâmide.

Logo conheceu Leonardo, namorou, noivou e casou. Teve 4 filhos. Nossa! Que coragem, dizia Francisco, um de seus tios por parte de mãe. Ele nada sabia sobre a “sobrevida brasileira”, ele era sócio em uma empresa do ramo alimentar, e estava bem, retroalimentava bem o sistema econômico. Quando a sobrinha pedagoga começou a se tornar integrante da classe dita média, foi estrategicamente ao se unir ao doutor Leonardo, como ele gostava de ser chamado; apesar de não ter ainda a tal cobiçada titulação, ele era bacharel em direito, mas também professor de estatística.

A moça foi exercer o cargo de professora em um Colégio particular, e ao ser mandada embora, já tinha Marcos, Alice, Edgar e Marcelo. Foi barra, e até hoje o é. Ela passa fome neste BRAZIL com z, neocolonial cheio de morismos, bolsonarismos e outros ismos que enriquecem os bolsos da elite do atraso. Ela não sabia onde ficava Dubai, só sabia que “gente muito séria e do bem” foi lá para resolver os problemas da sua “nação”. E que a diária do Hotel girava entre 50.000 e 100 mil reais…e o que tinha isso demais, a eleição de 2018, foi para varrer a corrupção do Brasil, ela balbuciou…entre risos.

Ela está na faixa dos sessenta, e em um de seus aniversários do século XXI, ela desejou comprar um sapato novo, que viu na maior máquina de exclusão de todos os tempos: a Internet. Se ela conseguiu? Não. Ela chegou a imprimir o boleto, já que não tinha poder de compra para ter o totem do cartão de crédito (não cabia em seu orçamento). Mas tudo foi em vão, foi apenas um pueril sonho…que logo se desvaneceu.

 Afinal, o sapato custava 150,00. E nossa Cristina… precisava comer, nem que fossem ossos assados…

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Cortes 247

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