Bolsonaro cometeu mais um crime de responsabilidade na convenção em que foi oficializado candidato à reeleição pelo PL, hoje, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro.
Chamou os ministros do STF de “surdos de toga” que “têm que aprender a se comportar dentro das quatro linhas” e virou o microfone para a plateia gritar o slogan “Supremo é o povo”. Uma cena que remete à famosa palestra na qual seu filho, Eduardo Bolsonaro, em 2018, falou que seria muito fácil fechar o STF:
“Basta um soldado e um cabo”.
Além de ameaçar o livre desempenho da mais alta corte do Poder Judiciário, onde correm processos contra ele, seus filhos e aliados – motivo evidente para abrir processo de impeachment – o atual presidente da República convocou protestos contra o STF para 7 de setembro:
“Vamos às ruas pela última vez” afirmou.
Como de hábito, planeja estragar a festa dos 200 anos da Independência.
Seu discurso também pode ser enquadrado como crime de tentativa de mudança violenta de regime, pois suprimir ou mudar a composição do STF ao gosto do Poder Executivo é golpe de estado.
Tudo isso aconteceu nas barbas do presidente da Câmara, Arthur Lira, testemunha ocular do discurso golpista, que mais uma vez fez cara de paisagem.
É inaceitável um presidente da República golpear abertamente, à luz do dia, todos os dias, até no dia da convenção do seu partido, o estado democrático de Direito. Não sei se ainda vige o velho provérbio:
“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.
Tem que ser parado antes de virar o serial killer da democracia brasileira.
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