A ditadura militar iniciada em 1964 teve cinco governos: Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo. A redemocratização teve cinco governos antes do de Bolsonaro: Sarney, FHC, Lula, Dilma e Temer.
Desde que chegou ao poder, Bolsonaro nunca se comportou como o sexto governo civil. Seu projeto, desde o início do mandato, foi implantar o sexto governo militar.
Ele seguiu a cartilha clássica, começou por sequestrar instituições de Estado como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, Abin, setores do Poder Judiciário, a fim de subordiná-las a seus interesses pessoais, da sua família e do seu grupo político, no que foi muito bem sucedido, como estamos sabendo agora. Tentou também sequestrar o STF, o TSE e as Forças Armadas, mas aí a porca torceu o rabo.
Seu governo atuava como se fosse ditadura. Nem ele, nem seus aliados fizeram muito esforço para esconder seus intentos, ao contrário, faziam questão até de deixar claro o que estavam fazendo, gravar tudo, por um só motivo: eles tinham certeza de que o projeto daria certo e que no fim do governo Bolsonaro a ditadura militar sob seu comando seria implantada.
E seus crimes seriam encarados como atos de salvação da pátria.
O 8/1 foi a última e desesperada carta na manga. Seria a chave de ouro coroando os quatro anos de ataques à democracia.
Bolsonaro sonhava com o sexto governo militar ou, quem sabe, com o IV Reich.
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