Por Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia
O episódio envolvendo a Polícia Federal e a entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi grotesco. E se constituiu, para quem insistia em não enxergar, numa prova cabal de que o ministro da Justiça e da Segurança, Sérgio Moro, ainda continua onde sempre esteve ao longo de todo o processo de julgamento, condenação sem provas e prisão sem motivo de Lula: no palanque. Moro estava e ainda está em campanha. Mesmo a eleição já tendo passado e ele já tendo sido agraciado com o ministério que, teoricamente, existe para se fazer exercer as leis.
Ad nauseam, repete-se o enredo: quando Lula foi preso por ordem de Moro, era o petista favorito absoluto na eleição, enquanto o candidato mais forte, justo o representante da extrema-direita radical, não teria fôlego sequer para o segundo turno. Com Lula fora de combate, a disputa foi uma moleza, mesmo com um candidato do PT substituindo Lula, ou até por isso mesmo. Bolsonaro usou muito bem do marketing, sofreu um atentado esquisito, saiu fisicamente da campanha e dos debates e refugiou-se nas redes sociais. Ganhou a eleição, deu a pasta da Justiça a Moro e o resto é História. Ou o que fizeram dela.
E agora, o que se viu? Há oito meses que os jornalistas Florestan Fernandes Junior, de El País, e Mônica Bérgamo, da Folha de S.Paulo quere entrevista Lula. Florestan, que também assina coluna nos Jornalistas Pela Democracia, deste Brasil 247, foi o primeiro a pleitear o trabalho jornalístico, negado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. Semana passada, o STF autorizou as entrevistas, marcadas para esta sexta-feira (26). Até aí tudo bem.
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Ocorre que hoje, véspera da entrevista, um delegado da Polícia Federal decide, do nada, abrir a entrevista ao site O Antagonista e a outros blogueiros de direita. Sabe-se lá o que esses “jornalistas” fariam no encontro. Imagina-se que boa coisa não seria. Mais um dia e um agente japonês da PF seria escolhido para mediar a entrevista.
A Polícia Federal é um órgão ligada à pasta de Moro. Lula está preso em Curitiba, reduto de Moro. O aparato policial do Paraná age todo em estreita harmonia com a força-tarefa da Lava Jato que, por sua vez, é tudo Moro desde criancinha. Acreditar que a PF armou essa patetada toda de per si, sem que seu chefe tivesse sido, pelo menos, consultado, pode até acontecer. Afinal tem quem acredite que a Terra é plana, que Olavo de Carvalho é filósofo e que não existe milícia ligada a políticos no Rio de Janeiro.
Evidentemente, a “cortesia” da PF com a imprensa” não foi aceita por Lula e pelo PT, que acionou o STF que, por sua vez, enquadrou a Polícia Federal de Sérgio Moro. A entrevista será como tem que ser: aos veículos que a requereram e aos jornalistas a quem a fonte quer concedê-la. Jornalismo é isso mesmo. Nem todo mundo sabe ou aceita. Mas é assim.
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