Opinião

Perguntas que Lula terá de responder um dia

“Esse assunto da guerra, no qual Lula quis entrar com tudo no início do ano e agora prefere manter distância, não vai sair tão cedo dos holofotes”, diz Solnik

Zelensky, Putin e Lula
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Os jornalistas que participaram da coletiva de hoje, em Bruxelas, foram bonzinhos com Lula. Tentaram arrancar uma declaração mais contundente sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas em vão.

Ele repetiu o discurso de que a guerra precisa parar, que o Brasil está empenhado nos esforços de paz, e que nem Zelensky nem Putin falam em pacificação. E que o Brasil condenou a invasão na ONU.

Os jornalistas não forçaram o presidente a fazer uma declaração menos ambígua. Não sei se por falta de curiosidade ou de tempo.

No entanto, ao perder a paciência quando instado a comentar o que Gabriel Boric declarou – a condenação da Rússia tem que ser enérgica “porque hoje ocorre com a Ucrânia, mas amanhã pode acontecer com qualquer um de nós” – Lula mostrou não estar disposto a engrossar o discurso de seu colega chileno, a quem chamou de “muito jovem e apressado”.

Esse assunto da guerra, no qual Lula quis entrar com tudo no início do ano e do qual agora prefere manter distância, porque percebeu que se meter numa guerra quente é uma fria, não vai sair tão cedo dos holofotes. Vem aí a reunião do Brics, na África do Sul.

A princípio, a presença de Putin estava mantida, apesar da ordem de prisão expedida pelo Tribunal Penal Internacional, do qual o país anfitrião é signatário.

O presidente sul-africano declarou que Putin era bem vindo e que não iria mandar prendê-lo porque, se o fizesse, a Rússia tomaria o gesto como declaração de guerra.

A oposição protestou e hoje o governo sul-africano retirou o convite a Putin. Lavrov irá em seu lugar.

As perguntas que um dia os jornalistas poderão fazer a Lula são:

  1. O senhor considera Putin um criminoso de guerra?
  2. O senhor concorda com a ordem de prisão de Putin?
  3. O senhor convidaria Putin a visitar o Brasil?
  4. Se Putin viesse ao Brasil o senhor mandaria prendê-lo, obedecendo à ordem do TPI, do qual o Brasil é signatário?

Lula tem de estar preparado para respondê-las.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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