Opinião

Por uma frente democrática já

“Hoje, são poucas as candidaturas que se situam no campo democrático: as de Lula, pelo PT, Ciro Gomes, pelo PDT, Manuela D’Ávila, pelo PCdoB, e, eventualmente, de Guilherme Boulos, pelo Psol. Todas as demais, de uma forma ou de outra, estão ligadas a partidos que apoiaram o golpe”, diz Leonardo Attuch, editor do 247; “Portanto,…

"Hoje, são poucas as candidaturas que se situam no campo democrático: as de Lula, pelo PT, Ciro Gomes, pelo PDT, Manuela D'Ávila, pelo PCdoB, e, eventualmente, de Guilherme Boulos, pelo Psol. Todas as demais, de uma forma ou de outra, estão ligadas a partidos que apoiaram o golpe", diz Leonardo Attuch, editor do 247; "Portanto, esses personagens, e outras lideranças políticas independentes, como o senador Roberto Requião (PMDB-RJ), devem exigir, por meio de nota pública, que Lula tenha o direito de concorrer à presidência. Do ex-presidente, deve-se exigir o compromisso de apoiar o nome, entre as forças democráticas, que estiver melhor situado nas pesquisas, caso sua candidatura venha a ser de fato banida, nesta nova etapa do golpe"
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será enforcado no dia 24 de janeiro de 2018, data em que está marcado o simulacro de julgamento no TRF-4, em Porto Alegre. Como consequência da condenação em segunda instância, líquida e certa como dois e dois são quatro, Lula será enquadrado na lei da Ficha Limpa. Além disso, ele poderá ser preso, uma vez que o Supremo Federal ainda não terá revisto a questão das prisões em segunda instância.

A Lula, será então oferecido um “acordão” – a liberdade em troca da desistência de concorrer à presidência em 2018. Até porque não interessa às oligarquias políticas brasileiras que Lula seja transformado em mártir por uma condenação extremamente frágil, no momento em que o Brasil é governado por uma verdadeira quadrilha, mergulhada em escândalos muito mais graves, e bem mais documentados, do que o do chamado triplex.

Essa rendição de Lula seria a consumação do golpe de 2016, que já derrubou uma presidente honesta, mas só se consolidará, garantindo a entrega definitiva de riquezas nacionais como o pré-sal, com a exclusão de qualquer projeto nacionalista em 2018. Lula, no entanto, já prometeu ir às últimas consequências, certo de que o que está em jogo é não apenas a sua história, mas o próprio destino do Brasil – se seremos uma colônia ou uma nação soberana.

Diante desse quadro, que movimenta bilionários interesses internacionais, urge a construção de uma frente ampla de todas as esquerdas. Uma frente pela soberania do voto popular que poderá vir a ser uma frente eleitoral no futuro. Hoje, são poucas as candidaturas que se situam no campo democrático: as de Lula, pelo PT, Ciro Gomes, pelo PDT, Manuela D’Ávila, pelo PCdoB, e, eventualmente, de Guilherme Boulos, pelo Psol. Todas as demais, de uma forma ou de outra, estão ligadas a partidos que apoiaram o golpe.

Portanto, esses personagens, e outras lideranças políticas independentes, como o senador Roberto Requião (PMDB-RJ), devem exigir, por meio de nota pública, que Lula tenha o direito de concorrer à presidência – ainda que Ciro Gomes, de forma precipitada, tenha feito um apelo para que ele capitule antes da hora. Do ex-presidente, deve-se exigir o compromisso de apoiar o nome, entre as forças democráticas, que estiver melhor situado nas pesquisas, caso sua candidatura venha a ser de fato banida, nesta nova etapa do golpe. E, assim, a frente democrática se converteria em frente também eleitoral, com o apoio de artistas e intelectuais, que assistem perplexos ao desmonte do Brasil.

Este é único arranjo que poderá salvar o País. Segundo o Datafolha, 29% dos brasileiros votarão com certeza em quem for indicado por Lula e 21% poderão votar. Com a união das esquerdas, que deve ser construída desde já, o Brasil poderá ser retomado para os brasileiros, mesmo que Lula seja enforcado em Porto Alegre. O golpe teria seu troféu, mas, ainda assim, fracassaria.



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Cortes 247

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