Atacado pela imprensa por conta das suspeitas de envolvimento nas irregularidades investigadas pela Lava Jato, mas em nenhum momento questionado pelos adversários e aliados de Dilma ou de Temer no Congresso, o senador Renan Calheiros é mestre em aproveitar as oportunidades que aparecem, algumas vezes até por acaso.
Nesta sexta-feira (3) ele divulgou uma nota questionando decisão da comissão de impeachment de Dilma Rousseff que reduziu prazos. O senador diz que vê com “preocupação as iniciativas para comprimir prazos. Mais ainda se a pretensão possa sugerir supressão de direitos da defesa, que são sagrados”.
E sem querer atacar ou questionar a comissão, mais adiante alivia ao afirmar que é desejável agilizar o processo para que não se prolongue indefinidamente, desde que isso não limite o direito de defesa. Para Renan Calheiros “Dez dias na história não pagam o ônus de suprimi-los”.
Como muita gente acompanhou, a proposta de encurtar prazos criou intenso debate na sessão da comissão. E essa questão acabou sendo levada para que seja decidida pelo juiz do processo no Senado Federal, que é o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandoski.·.
Agindo assim, Renan Calheiros mostra cautela e atenção na decisão que os senadores terão que tomar sobre o afastamento definitivo da presidente, que será verdadeiramente político, ao mesmo tempo em que preenche positivamente o espaço político nesses momentos de intensos conflitos políticos, judicialização da política e de crise econômica.
Leia aqui a íntegra da nota.
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