Se o projeto de Neymar de fato acontecer, com uma parceria com a DUE Incorporadora, serão construídos imóveis de alto padrão à beira-mar. Este projeto deve ocupar um espaço entre o litoral Sul de Pernambuco e Norte de Alagoas. A famosa privatização das praias, que começaria com o menino Neymar e avançaria para poucas mãos de bilionários brasileiros. Sabemos que nosso congresso atual é conservador, mais ligado à extrema direita, diferente do que acontece na Argentina. Mas tanto um como outro possuí entraves que dificultam ou um avanço social ou a um projeto de desmanche institucional. No nosso caso, avança alguns desmanches.
Vamos colocar alguns pontos nos is. Neymar desde pequeno sempre foi um craque de bola. Fez 439 gols defendendo Al Hilal, PSG, Barcelona, Santos e seleção brasileira, porém nunca ganhou uma Bola de Ouro, Copa do Mundo, mas jogou como companheiro do protagonista Lionel Messi. Para ser protagonista, foi para o Paris Saint-Germain, mas sem conseguir seu intento, mas no geral conseguiu 27 títulos. Mas quando se ligou ao ex-presidente Bolsonaro, tornou-se um símbolo da extrema direita. Atualmente, aquele que está brilhando e contrastando com menino Ney é Vini Júnior, adotado pela esquerda, que passou por vários momentos de racismo na Europa e assim mesmo ficou firme e foi o protagonista da vitória do Real Madrid e provavelmente será o Bola de Ouro este ano. As atitudes fora de campo de Neymar são bastante duvidáveis e reprováveis. Basta lembrar dos problemas com desvio de rio em seu sítio, querendo peitar a polícia.
Uma expectativa da extrema direita é ter a possibilidade de privatizar tudo para poucos. Acontece que não é novidade. Tanto no Brasil, como no exterior, alguns estudos feitos pela instituição internacional, Transnational Institute, mostram que as privatizações em muitos casos foram negativas e inclusive vão sendo substituídas por reestatizações. Pelo nos últimos 14 anos, vemos esse processo em empresas ligadas a água e esgoto, telecomunicações, transportes, educação e entre outros.
Quando se fala na privatização de um bem público, como uma das poucas atividades democráticas no Brasil, se torna sério quando uma parte da sociedade tenta a obstruir o livre acesso a recursos da natureza. Tornar propriedade. Se pensarmos, a mais antiga disputa é pela terra. Podemos ver até na Bíblia que há a disputa entre lavradores e criadores de gado por terra. O roubo do solo é o pecado original. Lembremo-nos de Marx quando diz: “dominação do homem sobre o homem”. Os ricos das altas cúpulas agrárias se formaram por essa apropriação violenta da terra, passando o trator.
Um dos fatores que assusta, além das áreas particulares, são as possibilidades de degradação ambiental, que dentro do arcabouço da legislação, onde deveria haver uma fiscalização, como pensar isso em lugares onde o dinheiro vai falar mais alto? Temos diversos exemplos de ocupação forçada de áreas ambientais que não deram certo.
Outra questão, são as vivências pelo mundo, dos mesmos moldes. Imagine ser obrigado a pagar entre R$114 e 912 reais para ir numa praia? Isso é que acontece na Itália, onde as praias foram privatizadas. A elitização será o primeiro passo, como está acontecendo com os estádios de futebol, que antes tinham a presença maciça da população, e hoje apenas a classe média alta participa. Shows você tem que escolher a dedo. Se antes, podíamos ir a diversos espetáculos, hoje com os preços entre R$300 e R$500, leva além das escolhas, a criação de diversas dívidas em bancos.
E vem a dúvida para o senso comum: Até que ponto a cara e o sucesso do menino Ney ajuda ou prejudica a avaliação sobre o tema?
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