Opinião

Quem vacinará os palestinos?

“Enquanto Israel tem o direito a um Estado, os palestinos não têm seu Estado reconhecido. Não recebem vacinas, nem talvez tivessem condições de administrar a vacinação, especialmente na Faixa de Gaza, território completamente cercado por Israel”, escreve Emir Sader

Siga o 247 no Google Notícias Seguir no Google Notícias Adicione o Brasil 247 como fonte preferencial no Google Apoie o jornalismo independente Apoie o 247

A vacinação, em escala mundial, se ressente das imensas desigualdades, que só aumentam com a pandemia. Mas a definição da prioridade para os trabalhadores da saúde pública e para os idosos têm permitido dar certa ordem correta no começo da vacinação, situação delicada também pela pequena quantidade de vacinas disponíveis por enquanto. Podemos ver, todos os dias, até aqui, a idosos, que nunca tiveram prioridade em nada, serem os primeiros a ser vacinados.

Mas pelo mundo agora, a busca de vacinas é filtrada pelo poder aquisitivo de cada país, privilegiando sempre a Europa, os Estados Unidos e o Japão. A OMS criou um fundo para buscar recursos para os países da África, da Ásia e da América Latina, que não tenham condições de comprar as vacinas que necessitam.

Um caso particular é o da Palestina, que chama mais ainda a atenção, porque em todas as classificações de desempenho na vacinação, Israel ocupa o primeiro lugar, pela porcentagem da população já vacinada. Acontece que não se menciona a decisão do governo israelita de excluir os palestinos na vacinação.

 A Palestina é um território ocupado militarmente por Israel. Além de que 20% da população de Israel é composta por palestinos, que se deslocaram para viver lá, pela inviabilidade econômica dos territórios palestinos, pela sua ocupação e fragmentação desses territórios pela presença de acampamentos de israelitas.

Enquanto Israel tem o direito a um Estado, os palestinos não têm seu Estado reconhecido. Não recebem vacinas, nem talvez tivessem condições de administrar a vacinação, especialmente na Faixa de Gaza, território completamente cercado por Israel.  

E como se, digamos, os Estados Unidos desenvolvessem um processo muito efetivo da vacinação, porém excluindo sua população negra, e fossem elogiados pela porcentagem da população branca vacinada.

Quem elogia o desempenho de Israel, sem mencionar a exclusão dos palestinos, é cumplice do apartheid de que são vitimas os palestinos.
 Quem se responsabiliza pela vacinação dos palestinos?

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.

Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Participe da discussão

Acompanhe as
últimas notícias