Opinião

Resistir sempre! Sorrindo ou chorando. Quem ri por último, ri melhor

A sonora gargalhada ecoa no entorno do artista. O coletivo humano precisa do humanismo que surgiu na Baixa Idade Média; tendo as artes como pano de fundo da “precípua fase renascentista” abençoadora da vida

Valéria Guerra Reiter

A sonora gargalhada ecoa no entorno do artista. O coletivo humano precisa do HUMANISMO que surgiu na Baixa Idade Média; tendo as artes como pano de fundo da “precípua fase renascentista”  abençoadora da vida. O show mostra literalmente o descortinar da estética em sua beleza filosófica. 

 Quem imita a vida… E quem imita a arte?

Nós, aqueles que ressurgem de cada golpe e de cada ato totalitário, como o de ontem, que exterminou 25 seres humanos, na Comunidade do Jacarezinho.

A cada carta de amor, a cada abraço ou a cada aplauso. A lágrima do palhaço no camarim reflete a poesia.

Do verdadeiro histrião. Que não foge da magia da ribalta, mesmo em face da extrema dor.

O ator e diretor teatral Paulo Gustavo, que perdeu a batalha para o coronavírus no último dia 04 de maio do corrente, proferiu em mensagem de fim de ano, que o riso é um sinal de resistência. E lendo o texto/monólogo abaixo (meu nobre leitor) você perceberá o quanto isso procede.

A arte escapa; ela é mais forte que a dor, que o desamor, que a blasfêmia, que a mediocridade, e que a injustiça. A arte escapa, pois denota em sua etimologia: CAPACIDADE DE FAZER ALGO, uma realização nata. Ela transforma corações e mentes com sua integridade. E como disse Nietzsche: TEMOS A ARTE PARA NÃO MORRER DE VERDADE.

O teatro é uma arte milenar de transformação e vanguarda, possui a missão sagrada de transmutar, desconstruir e construir o mundo, através do ATOR, que com seu sentimento empresta ao PERSONAGEM a sua alma. A alma do ator volita em meio ao sonho, e faz de um palco um oceano navegável, ou um prostíbulo abjeto, realizando o que o termo exige dele: Ser um HIPÓCRITA. (palavra grega usada como ator).E o termo grego empregado desde a antiguidade clássica não é de uma hipocrisia sórdida, mas expressa todo esse estilo de espírito que deseja representar todos os atos da trama da vida.

Deixo aqui minha HOMENAGEM a estas pessoas corajosas e humanas, que nunca deixaram de atuar, de lutar, de sonhar mesmo chegando a um patamar assaz inumano possível, elas se tornaram arte. E como a ARTE ESCAPA, a trajetória e o destino indigente traçado pela viela do senso comum foram abortados, ou seja, prevaleceu o talento acima do status quo.

“Teatro só faz sentido quando o palco é uma tribuna livre, onde se possa discutir até às últimas consequências os problemas do homem”, disse com propriedade o ator e dramaturgo Plínio Marcos.

Homens, mulheres, crianças como esses artistas aqui apresentados e representados; perambulam nauseabundos por ruas, avenidas, estradas: São malabaristas, equilibristas, cantores, atores, pintores, desenhistas, que arrastam correntes em um submundo particular de fome, sede, e desesperança.

A canção já dizia: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte, a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão, balé” e neste rodopio mágico que faz a arte brotar dos olhos úmidos de um palhaço, que precisa fazer rir; mesmo que seu estômago esteja vazio… a arte QUE ESCAPA sofre uma eterna METAMORFOSE que torna a lagarta enfadonha e morosa em uma borboleta bailarina e célere no palco iluminado do TEATRO; no palco iluminado da vida”.

Que haja justiça por todos os chacinados!

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Cortes 247

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