Seja qual for a motivação, a cena da execução de quatro médicos, num quiosque, no Rio de Janeiro, é o terrível retrato de uma época que lembra os tempos das máfias de Chicago. Execuções a céu aberto, presentes várias testemunhas e sob vigilância de muitas câmeras, revelam a covardia, a ousadia e a certeza da impunidade dos pistoleiros. E nos colocam a nós, cidadãos brasileiros, divididos entre o estado de choque e a insegurança.
Se o alvo for o irmão da deputada Sâmia Bonfim será outro crime político, uma reedição do atentado contra Marielle Franco, o que vai aumentar a temperatura já altíssima do confronto entre a direita e a esquerda brasileiras, com repercussões dentro e fora do país, na política e na economia. Um horror.
Caso os médicos, o irmão da deputada entre eles, tenham sido assassinados por engano – um deles teria sido confundido com filho de miliciano – também é terrível.
Se eles estavam no lugar errado e na hora errada, e pagaram com a vida sem ter nada a ver com a guerra entre milicianos, pode acontecer o mesmo com qualquer um de nós. Em qualquer quiosque de qualquer cidade brasileira.
Seja qual for a motivação do terrível e covarde atentado que enluta o país e não apenas o Rio e não apenas as famílias das vítimas, ficou mais uma vez escancarado o fracasso das autoridades no combate ao crime. E cuidar da segurança da população é dever constitucional dos governantes.
O ministro Flávio Dino viajou a Salvador, para falar sobre segurança pública. Deveria ter ido ao Rio, que é, hoje, o foco de todas as atenções e preocupações.
Já é fácil fazer um paralelo entre a cidade cartão postal do Brasil com a Chicago dos anos 30. Cabe às autoridades federais, estaduais e municipais impedir que piore.
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