Opinião

Síndrome de Estocolmo

Dois ex-inimigos se unem para espancar o inimigo comum

Guilherme Boulos e Pablo Marçal
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Durante o primeiro turno, Boulos foi o principal alvo de Pablo Marçal, que ameaçou, desde o início da campanha, revelar graves denúncias a respeito dele, o que culminou com a publicação de um laudo falso de uso de cocaína, o que maculou a imagem de Boulos e consta como indício de apenas um de uma lista de crimes cometidos por Marçal, que estão sob investigação, e que poderão resultar em sua inelegibilidade por oito anos.

Dono de um perfil semelhante ao dos torturadores, atravessou a campanha torturando Boulos. 

O outro alvo preferencial de Marçal foi o prefeito Ricardo Nunes, a quem almejava derrotar para impor derrota ao governador Tarcísio, com quem disputa o controle da direita brasileira pós-Bolsonaro.   

Com o fim do primeiro turno mais tumultuado desde a redemocratização, e a derrota de Marçal, agora ele tenta voltar ao palco, propondo um debate organizado por ele mesmo, entre Boulos e Nunes, subvertendo totalmente o trâmite eleitoral, que confere aos meios de comunicação a organização de debates, e não a candidatos ou ex-candidatos, ou a partidos.

Mordido pela mosca azul, Boulos rapidamente aceitou o “debate”, sem perceber que, dessa forma, está legitimando um delinquente como ente político, além de servir de escada para Marçal alcançar seu objetivo, que é desbancar os bolsonaristas para assumir seus lugares no campo da direita.

Boulos também ignora que esse tipo de “debate” pode ser comparado à seguinte situação. Dois ex-inimigos se unem para dar uma surra no inimigo comum, o convidam para uma briga em sua casa, com suas regras, não deixando saída para o alvo: se ele não vier, será taxado de covarde; se vier, será espancado.

Marçal  já avisou qual será o tom do “debate”:

“O pau vai quebrar!”.

Ontem, Boulos estava com Alckmin; hoje, está com Marçal.

Acho que todo mundo sabe o que é a Síndrome de Estocolmo. 

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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