Por Paulo Moreira Leite, para o Jornalistas pela Democracia
O mesmo STF que retirou Lula da campanha presidencial reafirmou seu direito a viver em liberdade, abrindo uma nova etapa em nossa vida política, escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia
A decisão do STF, ontem, ao reafirmar o princípio da presunção da inocência, representa a primeira derrota importante da Lava Jato desde que os brasileiros ouviram falar de um certo juiz Sérgio Moro, juiz de Curitiba, em 2014.
Tão apertada quanto a votação que retirou Lula da campanha presidencial, em 2018, a votação de ontem ilustra o ponto básico.
Ao devolver Lula para a vida política do país, o STF desnuda a natureza precária da vitória eleitoral de Bolsonaro e tudo o mais que veio a seguir, deixando clara a fragilidade do processo de destruição nacional iniciado a partir de janeiro de 2019.
Exibindo coragem para enfrentar as mesmas pressões espúrias que não soube responder no ano passado, nossa mais alta corte de Justiça devolveu aos brasileiros e brasileiras a oportunidade de repensar o país em que têm vontade de viver.
A decisão abre as cortinas de um horizonte — político, econômico, social — que parecia fechado. Não temos mais certeza de que o futuro do Brasil pertence a direita e a extrema direita, certo?
O voto de Celso de Mello mostrou que a presunção da inocência é o horizonte necessário dos povos que venceram grandes ditaduras — como a Italia de Mussolini, Portugal de Salazar, o Brasil que derrotou os militares.
Não por acaso, essa garantia foi incluída na Constituição de 1988, aquela que representou o enterro da ditadura e, ontem, deu uma lição de cidadania e coragem no queixo de seus herdeiros e aproveitadores. Não há muito a fazer, além de comemorar.
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