Opinião

Tarcísio depende de Kassab para um plano de voo seguro em São Paulo

“Sem Kassab, Tarcísio ficaria desguarnecido do apoio de um político perspicaz e exposto a toda espécie de investidas contra si”, diz Florestan Fernandes Jr.

Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas
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Já dizia o ex-governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou.” 

Acabamos de sair de um Carnaval cujas nuvens pesadas levaram destruição ao litoral norte de São Paulo. A qualidade e a posição das nuvens sob o céu da política nacional, no entanto, é outra. 

O fato é que a aproximação entre os governos Lula e Tarcísio de Freitas no acolhimento às famílias das vítimas e na reconstrução das cidades do litoral paulista, aponta para uma mudança de rumos no plano de voo do governador. 

Ao que tudo indica, o comandante desse voo é o ex-prefeito e atual secretário de governo, Gilberto Kassab. Prevendo o fim do tucanato em São Paulo, Kassab não pensou duas vezes ao apoiar Tarcísio, contra seu ex-aliado, Rodrigo Garcia.

O astuto articulador político, Kassab, não avançou apenas no espólio político do PSDB paulista, colocou não dois, mas três pés no governo Lula ao indicar ministros do PSD. 

É inegável que no cenário atual, Tarcísio de Freitas depende muito mais de Kassab, que de Jair Bolsonaro. Além disto, é provável que a Justiça eleitoral, ao julgar as várias ações eleitorais que têm Jair Bolsonaro como réu, o tornará inelegível por oito anos. 

Assim como na física, na política não existe espaço vazio e, nesse contexto, Tarcísio reúne as melhores condições e desponta como o virtual líder futuro da direita brasileira. Todos os sinais apontam nesse sentido.

Tarcísio de Freitas comanda o governo que detém o segundo maior orçamento do país, angaria o apoio da maioria dos prefeitos do interior do estado, conta com a simpatia das elites econômicas e da mídia corporativa e dialoga republicanamente com o governo federal. 

Sem Kassab no governo, como desejam e se agitam os bolsonaristas de extrema-direita em seus grupos de WhatsApp/Telegram e afins, Tarcísio ficaria desguarnecido do apoio e da orientação de um político perspicaz e, portanto, exposto a toda espécie de investidas contra si e sua gestão. Até mesmo ao desgaste de ações de improbidade administrativa e de entraves junto ao Tribunal de Contas – problemas estes que ordinariamente, em maior ou menor grau, acompanham os gestores públicos. 

Importante ressaltar que Tarcísio de Freitas, não sendo paulista, não construiu interlocução com o Poder Judiciário estadual, o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado. E falamos de um Estado governado há três décadas pelos Tucanos.

É Kassab – credenciado pelo vasto currículo político em São Paulo, construído nos últimos 25 anos – quem tem o mapa seguro para traçar o plano de voo. Sem ele, a trajetória de Tarcísio se tornaria mais espinhosa e complexa. 

O que temos, caros leitores, é que a topologia celeste da política nacional exibe uma janela de oportunidades escancarada com a crise da extrema-direita. Diante dela, ou o Governador de São Paulo usa o tempo e as circunstâncias ao se favor e rompe em definitivo com o bolsonarismo; ou pode comprometer em definitivo seu futuro político de virtual liderança da direita no Brasil. Como diria meu saudoso amigo Carlos Chagas, vamos aguardar.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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