Corria uma anedota em 1987 – outro annus terribilis da economia pátria – segundo a qual o elegante Dilson Funaro, então ministro da Fazenda, certo dia, em meio às ameaças de convulsão social dirigiu-se ao presidente Sarney nesses termos:
– Tenho duas notícias: uma boa e uma ruim. A boa é que o país está unido. A má é que está unido contra nós.
Sem falsa modéstia, Temer está conseguindo essa mesma unanimidade à medida em que lança na praça suas emendas-bomba, suas PEC-bomba que rasgam mais e mais a constituição.
Está conseguindo unir o país. Contra o governo.
E transformar a constituição num farrapo.
Trair e rasgar é só começar.
Rasgou a constituição pela primeira vez ao comandar um impeachment sem eira nem beira e não parou mais.
As PEC – Propostas de Emenda à Constituição – que em qualquer país democrático são submetidas a plebiscito extraem da constituição-cidadã todas as promessas de seguridade social ali inseridas.
Sem nenhuma consulta popular.
Deve ser porque o governo sabe que, se consultasse o povo, perderia.
O resultado da consulta pública realizada no site do Senado Federal deu 23.770 votos a favor e 345.718 contra a PEC 55. Ou seja: 93% contra a PEC!
Goleada oposta aplicaram os senadores. Como já tinham feito os deputados.
É o primeiro sinal de divórcio entre a população e o governo Temer.
Pela primeira vez os brasileiros não concordam em gênero, número e grau com o governo que derrubou a presidente Dilma.
Quando a PEC da Aposentadoria vier para o centro do palco a insatisfação vai aumentar.
E para incendiar ainda mais o país teremos as desgraças em série da mega-delação da Odebrecht.
A gente ainda não viu nada.
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