A um vice-presidente da República com espírito de estadista e nobreza de caráter, colocado diante da situação em que a sua presidente enfrenta um processo de impeachment, cabe optar por uma de três alternativas.
A primeira – a do vice leal – é ajudar a presidente, graças a quem foi eleito, por dever de lealdade e por entender que, ao proceder assim está defendendo o governo do qual faz parte e a estabilidade política e econômica do país.
A segunda – a do vice imparcial – é manter-se neutro: afastar-se de suas funções temporariamente e ausentar-se do país, ficar longe dos problemas políticos, sem interferir, à espera do resultado final para só então voltar.
A terceira – a do vice pragmático – é declarar que retira o apoio ao governo e então renunciar ao seu mandato, abandonar o palácio e trabalhar pela queda da presidente fora das instalações do governo.
O nosso vice, no entanto, optou pela quarta alternativa: não foi leal, nem imparcial, nem renunciou para conspirar; luta pela queda da presidente à luz do dia, usando o Palácio do Jaburu e toda a infraestrutura do governo que agora combate sem o mínimo pudor para formar um novo governo enquanto o atual ainda não se extinguiu.
Ou seja: depois de cuspir no prato em que comeu ele continua comendo no prato em que cuspiu.
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