A terceira via – composta, como se vê mais claramente agora, por Moro, Simone Tebet, Eduardo Leite e (cada vez menos) João Doria ou seja, bolsonaristas arrependidos – está cometendo o mesmíssimo erro de Ciro Gomes. Ataca ao mesmo tempo Lula e Bolsonaro. Não quer nem um nem outro.
É muita pretensão e muita ingenuidade candidatos que não chegam a dois dígitos nas pesquisas combaterem os dois primeiros colocados simultaneamente, em vez de guerrear contra um ou outro.
É como um exército lutando contra dois. A derrota é o futuro mais previsível.
As pesquisas mostram que, diferentemente das oito outras eleições presidenciais desde a redemocratização, o primeiro turno em 2022 está com a maior pinta de segundo. O eleitorado já se definiu entre os dois finalistas, que somam 70% das preferências.
E, à medida em que a data da eleição se aproximar, essa fotografia vai se revelar mais.
Se a terceira via quer chegar ao segundo turno, tem que bater em Bolsonaro, para roubar seus eleitores, com perfil semelhante ao dos seus. Não adianta bater em Lula.
Mesmo porque é Bolsonaro quem está no poder, cometendo um desatino atrás de outro contra o Brasil e os brasileiros.
Tem que deixar para bater em Lula no segundo turno, se chegar lá.
E se houver segundo turno.
Porque, se os eleitores perceberem, na reta de chegada, que só Lula ou Bolsonaro têm chance de ganhar, vão se dividir entre um ou outro e abandonar seus candidatos.
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