Ex-funcionária da Prevent Senior denuncia retaliação contra médicos que se recusam a receitar cloroquina

Sobre a hidroxicloroquina, a ex-funcionária afirmou que a “medicação passou a ser adotada a pedido da diretoria em pacientes que chegavam ao hospital com sintomas, mesmo sem a realização de exames para constatação” da Covid-19

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247 – Uma ex-funcionária da Prevent Senior denunciou em agosto deste ano à Polícia Civil de São Paulo que a operadora de saúde retaliaria contra médicos que se recusassem a receitar o ‘kit-Covid’, que não possui eficácia comprovada contra a Covid-19. 

O relato da ex-funcionária, que preferiu não ter seu nome divulgado, está no inquérito aberto pela Polícia Civil a pedido do Ministério Público de São Paulo para apurar as mortes de pacientes da Covid-19 em hospitais da companhia. 

No documento, a mulher cita “a suposta retaliação para quem não seguisse a ordens de uso de medicamentos do chamado kit Covid”, informa a Folha de S.Paulo. Além disso, ela relata uso de máscara pelos médicos somente no atendimento de pacientes com sintomas da gripe e a imposição de que funcionários trabalhassem mesmo que infectados pelo novo coronavírus. 

Sobre a hidroxicloroquina, ela afirmou que a “medicação passou a ser adotada a pedido da diretoria em pacientes que chegavam ao hospital com sintomas, mesmo sem a realização de exames para constatação” da Covid-19.

“Relata a colaboradora que diversos médicos que não concordavam com a indicação das medicações impostas pelos diretores, por receio de alguma retaliação acabavam receitando os remédios que não continham comprovação de eficácia por receio de perder o emprego”, prossegue. 

Ela também cita que a Prevent Senior indicava o tratamento precoce “sem a realização de eletrocardiograma”.

“Nos foi relatado ainda que tais medidas de combate a pandemia visavam apenas a redução de custos com a internação de pacientes uma vez que o hospital é do próprio convênio e internações geram custos”, diz o relatório. 

O relato vem após o recebimento pela CPI da Covid no Senado de um dossiê elaborado por 15 médicos sobre as irregularidades. Eles denunciam o uso de pacientes como “cobaias” e o estabelecimento de metas para receitar o ‘kit-Covid’ nos hospitais Prevent Senior. 

A empresa nega as acusações e diz que vai tomar medidas judiciais cabíveis contra os responsáveis pelo dossiê.

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