Parceria entre Brasil 247 e Global Times

Acionista da Volkswagen defende produção de modelos desenvolvidos na China na Alemanha

Especialista chinês afirma que tecnologia pode ajudar, mas clima de investimento na UE precisa melhorar

Carros da Volkswagen na China
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247 – O grupo Volkswagen poderia garantir empregos na Alemanha caso produza no país modelos automotivos que atualmente são desenvolvidos na China, afirmou Olaf Lies, primeiro-ministro do estado alemão da Baixa Saxônia, onde fica a sede da montadora. Ele ressaltou que isolar-se dos desenvolvimentos tecnológicos originados na China seria “a abordagem errada”, segundo a agência de notícias alemã DPA.

Um especialista chinês afirmou ao Global Times que a indústria de veículos elétricos (EV) da China tem forte competitividade e que a integração das cadeias industriais entre China e União Europeia pode aumentar a complementaridade entre as partes. No entanto, segundo ele, a UE precisa criar um ambiente de investimento e negócios mais adequado para empresas chinesas, já que uma série de medidas protecionistas tem deteriorado as relações econômicas e comerciais com a China.

“Se produzíssemos aqui veículos que atualmente fabricamos na China, poderíamos estabilizar a capacidade de utilização de nossas fábricas”, disse Lies em entrevista à DPA. “Isso também criaria oportunidades para novos desenvolvimentos e inovação em nossas unidades. Para mim, trata-se de estabilizar empregos e a utilização das fábricas, em vez de ver outros construírem novas plantas fora da Alemanha”, afirmou, após relatos de que a montadora avalia fechar quatro fábricas no país e cortar até 100 mil empregos.

Segundo o diretor do Centro de Relações China–Europa da Universidade Fudan, Jian Junbo, isso reflete uma reversão dos fluxos industriais: antes, Alemanha e Europa investiam e construíam fábricas na China, mas agora pode surgir uma tendência de atração de marcas chinesas para produzir na Alemanha.

Diante da competitividade global do setor chinês de veículos elétricos, investimentos de montadoras chinesas são altamente benéficos para a Europa, disse Jian, destacando, por exemplo, o papel de empresas chinesas de baterias de íon-lítio no apoio à fabricação europeia de EVs.

A Volkswagen coopera há décadas com parceiros chineses. Por meio de parcerias com empresas como XPeng e SAIC, o grupo conseguiu reduzir rapidamente a lacuna tecnológica e aumentar sua competitividade, afirmou Lies.

Ele também disse que isolar a Alemanha dos avanços tecnológicos vindos da China seria um erro. “Nosso objetivo não deve ser separar os desenvolvimentos tecnológicos uns dos outros”, declarou à DPA. O relatório acrescenta que, já em abril, após uma viagem à China, Lies defendeu a possibilidade de fabricar carros chineses em fábricas da Volkswagen na Alemanha.

“A China é e continua sendo um parceiro indispensável para a Baixa Saxônia, especialmente em tecnologias do futuro como produção de baterias, direção autônoma e soluções inovadoras de mobilidade. Vimos isso pessoalmente hoje em Xangai. A China também é um dos mercados mais importantes do mundo para a Volkswagen. Por isso, é importante manter uma cooperação próxima”, escreveu Lies na rede social LinkedIn em abril, durante visita ao país.

A Volkswagen não respondeu imediatamente quando procurada pelo Global Times para comentar as declarações de Lies.

Observadores da indústria, no entanto, afirmam que aprofundar laços com parceiros chineses tornou-se um imperativo estratégico para a montadora alemã. Enfrentando dificuldades no mercado de veículos elétricos, a Volkswagen precisaria se associar às novas forças da indústria automotiva chinesa para aproveitar suas vantagens tecnológicas no desenvolvimento de novos modelos e manter sua competitividade internacional, disse Zhang Xiang, secretário-geral da Associação Internacional de Engenharia de Veículos Inteligentes.

“Atualmente, alguns sistemas em veículos elétricos são compartilhados com veículos a combustão, especialmente em estruturas de carroceria, portas, capôs e certos componentes de chassis. No entanto, elementos centrais como motor elétrico, bateria e sistemas de controle eletrônico são totalmente novos. É exatamente aí que as montadoras alemãs precisam cooperar com as chinesas, para combinar forças e compensar fraquezas”, afirmou Zhang.

No entanto, a viabilidade de produzir na Alemanha modelos desenvolvidos na China ainda é incerta, devido aos custos mais altos e às tensões nas relações econômicas e comerciais entre China e União Europeia, segundo o especialista.

A agenda de segurança econômica da UE em relação à China se tornou mais rígida em 2026, com a adoção de uma série de instrumentos protecionistas no comércio e nos investimentos.

Equipes da China e da União Europeia realizaram nesta semana consultas intensivas sobre questões econômicas e comerciais, em preparação para a primeira reunião do mecanismo de Consulta de Comércio e Investimento China–UE. Segundo uma fonte citada pelo Global Times, a falta de sinceridade da UE levanta preocupações de que as relações possam chegar a um ponto de congelamento.

“A Europa deve oferecer um ambiente adequado de investimento e negócios para empresas chinesas. Atualmente, há considerável ceticismo e preocupações entre empresas chinesas em relação ao mercado europeu, o que representa um grande desafio”, disse Jian, pedindo que a UE administre adequadamente suas relações com a China.

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