Opinião

O inimigo agora é o Niger

“O Niger tem uma democracia frágil que sempre foi pressionada por militares descontentes, passa por graves conflitos étnicos”

Militares rebeldes tomaram o poder em Níger
Siga o 247 no Google Notícias Seguir no Google Notícias Adicione o Brasil 247 como fonte preferencial no Google Apoie o jornalismo independente Apoie o 247

Geograficamente, o Niger é uma nação do interior da África Ocidental. Historicamente, faz parte do antigo império Songai. O Niger foi incorporado à África Ocidental Francesa em 1896. Em 1922 foi transformado em colônia. Em 1958, passa a ser uma república autônoma da comunidade francesa e, em 1960, abandona a comunidade proclamando sua independência. 

O Niger tem uma democracia frágil que sempre foi pressionada por militares descontentes, passa por graves conflitos étnicos, teve várias tentativas de golpe e derrubadas de governos por militares. 

A descoberta de urânio na década de 1970 provocou um salto no desenvolvimento, mas que declinou com a queda do preço dos produtos nas décadas seguintes. 

No dia vinte e seis de julho passado, sob a justificativa de “contínua deterioração da situação de segurança e má gestão econômica e social“, os militares derrubaram o presidente Mohamed Bazoum. 

Organizados em uma plataforma chamada Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria (CLSP), os golpistas leram comunicados em rede nacional de televisão, reafirmando seu “respeito por todos os compromissos assinados pelo Níger”

“Pedimos a todos os parceiros externos que não interfiram“, acrescentaram, antes de decretarem o fechamento das fronteiras terrestres e aéreas “até que a situação se estabilize”. 

A França possuía militares no norte do Niger com objetivo de assegurar o fornecimento de urânio às centrais nucleares francesas. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que está pronto para “defender os interesses de Paris na África”. 

Talvez, quem sabe, a Rússia apoie a junta militar do Niger contra os antigos colonizadores franceses, em retaliação ao apoio da União Europeia à Ucrânia. Vladimir Putin pode dizer que, assim como a França, a Rússia também foi defender seus interesses quando decidiu invadir a Ucrânia. 

A França controla a soberania monetária em diversos países africanos que, embora tenham assento na ONU e acenem suas bandeiras com independência, ainda estão sob o controle disfarçado do imperialismo. 

Dificilmente a França se lançará em mais uma guerra, porque atravessa grave crise econômica e os franceses não estariam dispostos a bancar uma recessão.  

Diplomaticamente, Emmanuel Macron usa o Presidente Lula como seu ‘biscoito da sorte’ diante da opinião pública mundial. Lula tem compromissos com os países africanos e refutará qualquer pedido de apoio vindo de Paris. 

Caso a França reaja, terá como cortina, a máxima de ‘devolver a democracia’ ao povo do Niger. Então, mais um campo de guerra estará pronto para servir de palco para historiadores e afins. Séculos de colonização, expropriações, escravidão, assaltos e assassinatos estarão expostos.  

Um professor terá a chance de explicar ao seu aluno o que foi e continua sendo a colonização, usando  o exemplo da França possuir uma das maiores reservas de ouro do planeta, sem que tenha uma única mina em seu território. 

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.

Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Participe da discussão

Acompanhe as
últimas notícias