Opinião

A ajudadora sabe por que é preciso ter medo de Flávio Bolsonaro

“O histórico e a índole da família explicam o temor com a possibilidade de eleição do extremista”, escreve Moisés Mendes

Michelle Bolsonaro e senador Flávio Bolsonaro
Siga o 247 no Google Notícias Seguir no Google Notícias Adicione o Brasil 247 como fonte preferencial no Google Apoie o jornalismo independente Apoie o 247

Michelle Bolsonaro deve estar entre os 48,4% dos brasileiros que temem a possibilidade de Flávio Bolsonaro chegar ao poder, como mostra a pesquisa Atlas/Bloomberg. Os desembargadores catarinenses, do Tribunal de Justiça do Estado, ameaçados por facções do fascismo local, também devem estar.

O ministro Alexandre de Moraes, os jornalistas que denunciam os crimes do bolsonarismo, as alas da velha direita ainda não absorvidas pelos comandos dos irmãos Bolsonaro – todos devem temer a eleição de Flávio.

O que não significa que devam recuar diante desse medo. Os velhinhos que resistiram ao nazismo em Paris, as velhinhas que combateram a ditadura no Brasil, os jovens que saíram às ruas em tempos sombrios – todos eles não recuaram diante do medo.

Os perseguidos, os torturados, os que acabaram desaparecendo em meio às trevas, os comprovadamente assassinados pelo fascismo em todas as suas manifestações – todos sabiam que o medo estava sempre por perto, mas foram até o fim na luta contra um poder que se manifesta das mais variadas formas.

Por isso metade do Brasil tem medo de uma vitória de Flávio. É mais do que rejeitar o que ele defende como proposta de governo, até porque não tem proposta alguma além de se declarar líder do antilulismo.

É compreensível o sentimento de medo diante do que o filho ungido será capaz de fazer no poder, com seus irmãos e seus cúmplices. É diferente de rejeitar, como 54% rejeitam Aécio, algumas figuras em campanha à presidência.

Flávio é mais do que rejeitado, é temido. Pelo histórico da família, pela índole que herdou do pai, pelos movimentos dos irmãos e pela denúncia de que é agressivo, feita pela própria madrasta.

É Michelle quem agrega informações qualificadas, de dentro da família, capazes de justificar o temor dos brasileiros. Michelle sabe de quem fala, por conviver com o marido e seus filhos desde 2013.

Michelle já disse o que significa ser tratada com desprezo, por ser mulher e por tentar, na versão de Flávio e Eduardo, usurpar o lugar que os garotos entendem ser exclusivamente deles.

Sabe que Flávio é mais do que um traidor da pátria, como foi carimbado por Lula. É um predador pronto para completar no poder o trabalho que o pai cruel não soube concluir, por incompetência e por covardia.

O que mais Michelle sabe sobre Flávio que nós devemos saber? Por que ela tem insinuado que dispõe de mais informações sobre o enteado? O que Michelle pode nos informar para nos acalmar ou nos atemorizar ainda mais?

Ela é a personagem mais importante da República na direita, e não só no bolsonarismo, desde a ascensão do marido, pela capacidade de destruição do núcleo de poder criado em torno dele e do qual querem expulsá-la.

Michelle, a ajudadora, pode fazer pela democracia, se desmontar a estrutura em torno dos enteados e seus agregados aqui e nos Estados Unidos, o que as esquerdas têm tentado sem êxito até agora.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.

Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

One response to “A ajudadora sabe por que é preciso ter medo de Flávio Bolsonaro”

  1. Ótimo Artigo.
    Gostei da qualificação à Sra Micheque : AJUDADORA.
    Enquadrou todas as outras ‘ habilidades ‘ da Distinta.

Participe da discussão

Acompanhe as
últimas notícias