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Juca Simonard

Jornalista, tradutor e professor de francês. Trabalhou como redator e editor do Diário Causa Operária entre 2018 e 2019. Auxiliar na edição de revistas, panfletos e jornais impressos do PCO, e também do jornal A Luta Contra o Golpe (tabloide unificado dos comitês pela liberdade de Lula e pelo Fora Bolsonaro).

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Aceno da Globo ao PT é para isolar Lula

O que propõe a Globo é isolar a ala popular dentro do PT para formar um partido burguês que não vê mal em se aliar com os golpistas

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O jornalista da Globo Ascânio Seleme fez uma aceno em defesa de uma aliança com um setor da esquerda em seu artigo, publicado neste sábado, 11, intitulado “É hora de perdoar o PT”. Nele, o colunista afirma que “não há como uma nação se reencontrar se 30% da sua população for sistematicamente rejeitada”. “Esse é o tamanho do problema que o Brasil precisa enfrentar e superar. Significa a parcela do país que vota e apoia o Partido dos Trabalhadores em qualquer circunstância”, justificou.

A primeira vista, parece ser uma autocrítica do jornal - que perseguiu o PT durante todos os anos em que esteve no poder e durante o desenvolvimento do golpe - porém a própria Globo deixa claro que não se trata disso.

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Seleme afirma que “ninguém tem dúvida de que os malfeitos cometidos já foram amplamente punidos. O partido teve um ex-presidente e seu maior líder preso e uma presidente impedida de continuar governando”, referindo-se a Lula e Dilma. “Outros líderes históricos também foram presos ou afastados definitivamente da política”, como por exemplo José Dirceu, José Genoino e outros condenados injustamente pela burguesia.

“Mas o PT é maior que isso e, como já foi dito, para ladrões existe a lei”, continua o colunista. O que ele quer dizer é que o PT não se resume aos “ladrões” Lula, Dilma e Dirceu, mas “é maior que isso”, com cidadãos de bem (para usar uma expressão da direita). E são estes últimos que devem “ser perdoados” e incluídos no cenário nacional.

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“Os que acreditam e sustentam o PT são a maioria do terço de eleitores perenes do partido, não os que foram flagrados nos dois grandes escândalos de corrupção que marcaram as gestões petistas”, argumentou. Desta forma, a maioria dos petistas não são aqueles ligados a Lula e Dilma (que seriam os corruptos), que a Globo novamente trata de atacar com mentiras, mas os que apoiam um outro setor - que o colunista não especifica.

Para ele, é justamente “esse agrupamento político, talvez o mais forte e sustentável da história partidária brasileira, tem que ser readmitido no debate nacional”. “Passou da hora de os petistas serem reintegrados”, reforçou.

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Globo defende uma frente com a ala direita do PT

Como fica claro, a defesa de um “perdão” para os petistas não é pelo fato de que durante todos esse anos divulgaram mentiras sobre o partido e seus principais dirigentes, que foram alvos de operações fraudulentas, como a prisão de Lula e o impeachment de Dilma. Pelo contrário, essas fraudes e mentiras continuam sendo defendidas pela Globo, que apenas quer perdoar um setor do PT com quem acredita que dá para se realizar uma aliança em defesa da democracia.

Imaginar que o partido repetirá eternamente os mesmos erros do passado é uma forma simples, fácil e errada de se ver o mundo. Os erros amadurecem as pessoas, as instituições, os partidos políticos. Não é possível se olhar para o PT e ver só corrupção”, defende a Globo. Em outras palavras, Seleme afirma que no PT não há só Lula e Dilma (a corrupção), mas também setores “amadurecidos”, que seriam diferentes e com quem pode-se realizar uma frente.

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E, de fato, o artigo é um amplo defensor da mudança dentro do partido:

“Superada esta instância, que é mais fácil, terá de se ultrapassar também a índole autoritária que um dia foi semeada no coração do PT e vicejou. Exemplos são muitos, como a tentativa de censurar a imprensa através de um certo “controle externo da mídia”, de substituir a Justiça por “instrumentos de mediação” em casos de agressão aos direitos humanos, ou de trocar a gestão administrativa por “conselhos populares”.

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Além da ampla mentira descarada que o jornalista da Globo promove, percebe-se que a mudança defendida é para um partido muito mais alinhado com as políticas da direita. Em outras palavras, um PT moderado, que não tente democratizar os meios de comunicação e aumentar o controle popular nas instituições; um PT tucano.

É com este PT tucano que a Globo quer se aliar, e é este setor que quer “perdoar”. O título do artigo poderia ser: “É hora de perdoar o PT, menos Lula e seus aliados”. Com certeza, seria mais sincero. De qualquer forma, o artigo é, mais uma vez, uma tentativa de isolar Lula e ala lulista dentro do partido para promover uma frente com a ala direita,“moderada” e tucana.

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Lula e Dilma, por exemplo, já se posicionaram abertamente contra uma frente com o PSDB e outros partidos golpistas. Por outro lado, o ex-candidato petista à Presidência Fernando Haddad aparece com defensor desta política dentro do partido, apoiando-se nos governadores e em determinados parlamentares.

Porém, vale ressaltar que a ala lulista é a ala legítima do PT. Quem relaciona o PT ao resto do povo e à classe operária é principalmente Lula, que se apoia nos sindicatos, nos movimentos sociais e em um setor miserável da população que conseguiu melhorar de vida através das reformas promovidas por ele e Dilma.

Desta forma, o que propõe a Globo é isolar a ala popular dentro do PT para formar um partido burguês parlamentar; um partido que não vê mal em se aliar com os partidos capitalistas que promoveram o golpe de Estado e, portanto, são responsáveis por Jair Bolsonaro, pela volta da fome, pelo desemprego, pelas privatizações, etc.

Trata-se de mais uma ofensiva para consolidar a “frente ampla democrática” com os bandidos políticos do PSDB, PDT, PSB, Rede e outros. Como afirmei em outros artigos, uma frente para manter Bolsonaro e sua política

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