Lula diz “não” à frente com golpistas e defensores de Bolsonaro

Para citar Lula, a esquerda não pode “ser feita de palhaço” e se unir com "adoradores de Paulo Guedes"

Lula, Fernando Henrique Cardoso e Ciro Gomes
Lula, Fernando Henrique Cardoso e Ciro Gomes (Foto: Ricardo Stuckert | Reuters)
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O ex-presidente Lula corretamente disse mais uma vez “não” à frente ampla com golpistas defensores de Jair Bolsonaro, na noite desta terça-feira, 25, durante sua entrevista no programa Giro Nordeste. Para Lula, muitos dos setores da tal frente ampla são ‘hipócritas’ que falam em “democracia de forma abstrata, mas não querem a saída do Bolsonaro porque estão adorando a política do Paulo Guedes”.

Pelo mesmo motivo, o ex-presidente se colocou contra, algumas semanas atrás, o manifesto “Estamos Juntos”, que reuniu figuras da direita golpista, como Fernando Henrique Cardoso (FHC), Luciano Huck (Globo) e setores da esquerda, como Marcelo Freixo, Guilherme Boulos, Fernando Haddad e Flávio Dino.

"Aos 74 anos já assinei tanto manifesto... Mas vamos lembrar que tem 35 pedidos de impeachment na Câmara e esse manifesto não cita nem Bolsonaro, nem o Guedes”, afirmou em publicação no Twitter na ocasião, no dia 4 de junho.

Nesta quinta-feira, o ex-presidente ainda afirmou que não perdeu sua dignidade e relembrou que sua vida foi negociar. Mas reforçou: “não vou fazer papel de palhaço. Quem quiser falar em democracia, tem que defender o impeachment do Bolsonaro”.

Em outra oportunidade, no dia 9 de junho, o ex-presidente afirmou que “não dá para ser contra Bolsonaro”, mas a favor de sua manutenção no governo - ou seja, do “Fica Bolsonaro”, como a maioria dos “aliados” da Frente Ampla.

O posicionamento de Lula é produto da radicalização política no País e, ao mesmo tempo, uma denúncia da enganação política que setores da direita golpista estão buscando promover através da política de “união pela democracia”. Como disse o antigo líder metalúrgico, defendem a “democracia de forma abstrata” mas são a favor de manter o genocida Bolsonaro no poder.

As declarações de Lula também parecem ser direcionados aos setores da esquerda que participam da manobra direitista em defesa da “frente democrática”, como o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB); o deputado federal, Marcelo Freixo (PSOL); o dirigente do PSOL, Guilherme Boulos; o governador petista, Camilo Santana (Ceará); e tantos outros.

Dino, Boulos e Haddad, por exemplo, participarão de evento chamado pela imprensa golpistas junto com lideranças da direita contrárias ao “Fora Bolsonaro”. O governador do Ceará, por sua vez, já se declarou abertamente contra o impeachment de Bolsonaro, seguindo as posições do PSDB, de FHC, e do PDT, da oligarquia dos Ferreira Gomes, contra o “Fora Bolsonaro”.

O ex-presidente, nesta quinta, ainda se colocou contra a privatização do saneamento básico, que foi aprovada pelo Senado na quarta-feira, 24, com a aprovação dos supostos aliados “pró democracia”, como o PDT (Cid Gomes votou a favor) e o PSDB, que foi relator do projeto de lei. Além de outros partidos, como o PSB e a Rede, de Marina Silva.

Lula, porém, não apenas criticou a Frente Ampla. Ele atacou o governo Bolsonaro, como tem feito desde o início. “Bolsonaro ainda vai ser criminalizado pelo genocídio que está promovendo”, afirmou lembrando do descaso do governo federal com a pandemia do coronavírus, que já matou mais de 50 mil brasileiros.

O dirigente petista está certo! É preciso não somente denunciar a farsa da frente ampla com golpistas e defensores de Bolsonaro - ou, como diria Lula, ‘adoradores de Paulo Guedes ‘ -, como também intensificar a luta pelo “Fora Bolsonaro”. A esquerda não pode “ser feita de palhaço”.

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