Opinião

Ao denunciar o “mercado, mercado, mercado”, Lula aponta o rumo da campanha

Recentes declarações de Luiz Inácio Lula da Silva sublinham as necessidades da maioria de brasileiros e brasileiras, escreve Paulo Moreira Leite

Luiz Inácio Lula da Silva
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Por Paulo Moreira Leite

Foi nesta quinta-feira, 1 de setembro, num evento com profissionais de Cultura, em Belém do Pará, que Lula fez um dos pronunciamentos fundamentais da campanha de 2022.

Numa frase que pode ser resumida num único parágrafo, ele deixou clara a fronteira que separa seu projeto de governo das propostas dos demais candidatos:

“–O Brasil era a 12ª economia do mundo. Deixamos este País sendo a 6ª economia do mundo, agora retrocedeu para a 13ª. E só se fala em mercado, mercado, mercado e mercado. Mercado que me interessa é aquele em que as mulheres entram para comprar comida e que, muitas vezes, não conseguem levar aquilo que elas têm o direito de levar”, disse Lula.

Com toda simplicidade a questão é esta. Formado pela vida dura reservada à maioria trabalhadora do país, Lula nunca rejeitou as regras da economia de mercado, um dos universos fundamentais da economia capitalista.

Mas  sempre teve clareza, como homem público, para fazer o possível para proteger os interesses e necessidades dos homens e mulheres que ganham a vida com o próprio trabalho.

Foi assim como líder sindical, onde conduziu greves e mobilizações memoráveis, seja como presidente da República, em governos de valor histórico.

Em 2022, ao criticar aqueles que falam de “mercado, mercado, mercado”, mais uma vez Lula deixa claro seu lugar diante da melodia ideológica de nosso tempo, orquestrada por uma classe dominante organizada para passar uma borracha nas principais conquistas dos trabalhadores e dos povos do mundo.

Lembra que o sujeito de seu governo — ou de sua história — são os maltratados pela miséria do mundo, como as  mulheres que vão ao mercado “para comprar comida e muitas vezes não conseguem levar aquilo que têm direito”, num sofrimento que todo cidadão e toda cidadã em dia com a própria condição humana pode testemunhar com frequência no país de Bolsonaro, Paulo Guedes, enfim, do “mercado, mercado, mercado.”

No mesmo encontro, Lula  fez uma crítica direta ao “Teto de Gastos”, instrumento do capital financeiro para impor, goela abaixo, seus interesses sobre as necessidades e direitos da maioria. Obra do governo Temer-Meirelles, implantado após o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff, numa devastação que inclui a reforma trabalhista e a destruição da Previdência, o Teto subordina programas de estímulo ao crescimento econômico e à geração de empregos aos lucros dos bancos e demais instituições financeiras, que assim se tornaram senhores dos destinos do país. O resultado está na rua, à vista de todos: fome e desemprego recorde.

Este é o debate que interessa a brasileiros e brasileiras.

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