Tirando aquelas ofensas que colocam a mãe no meio, não há insulto maior, em nosso país, que chamar alguém de ladrão.
Juíz ladrão é o pior xingamento para o árbitro de futebol. “Você roubou no peso” é a pior acusação ao feirante. Para o político, então, nem se fale. Porque quando um político rouba, está roubando o país. Está roubando o eleitor. E ninguém gosta de ser roubado.
Basta uma rápida consulta aos jornais cariocas de 180 anos atrás. Está lá: políticos se acusam de “ladrão” a torto e a direito. Ladrão de dinheiro público. O pior xingamento que havia. Que podia até ser contestado mediante uso de arma. Uma questão de honra! Motivo para duelos! E cobria o acusado de vergonha.
De 1840 para cá, muita coisa mudou, mas a pecha de ladrão continua sendo a pior fama que um político pode ter. Eleitor não vota em ladrão.
Daí a voracidade com que se tenta colar o rótulo de larápio no adversário, mesmo sem provas. Mesmo que ele seja honesto. Como estratégia eleitoral. Destruir reputações ficou mais fácil depois que inventaram a internet.
Não é o caso de Bolsonaro. Ele foi alvo de muitos rótulos e insultos, todos justos e merecidos, em sua malfadada passagem pelo Planalto. Mas, depois que a polícia descobriu que ele fugiu no avião presidencial, antes do fim do mandato, levando a bordo jóias e outras peças valiosas do patrimônio público que depois negociou nos Estados Unidos, chamá-lo de ladrão não é mais um insulto.
É só uma constatação.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão