O tal Pronunciamento à Nação de Ciro Gomes, anunciado com toda pompa e circunstância, pode ser resumido na máxima popular que define o anti-climax:
“A montanha pariu um rato”.
Candidato que pede que o país pare para ouvi-lo dizer que sua candidatura está de pé, a seis dias da eleição, dá a maior bandeira de que sua candidatura não está de pé.
Ele próprio se deu a última oportunidade de sair dessa campanha um pouco menos chamuscado.
Poderia tê-la aproveitado para se retirar, o que justificaria com o total isolamento e agressões que partem de todos os lados, mas optou por seguir bovinamente rumo ao matadouro, arriscando-se a obter das urnas resultado não muito diferente de Cabo Daciolo em 2018, que em 2022 é o candidato do PDT a senador do Rio de Janeiro.
A consequência de seu discurso pífio e na contramão do que deseja o eleitor – levar Lula à vitória definitiva a 2 de outubro – será a consagração do chamado “voto útil para derrotar o inútil”.
Ciro Gomes está fora do páreo. Ninguém jamais subiu de 8% para mais de 30% em seis dias. A decisão será entre Lula e Bolsonaro.
Ao se recusar a optar entre o candidato da democracia e o candidato do autoritarismo, Ciro comete o erro mais grave de sua carreira política.
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