Opinião

Como vencer uma eleição

Indo na direção contrária de anos como deputado federal e na contramão de suas promessas de campanha, Bolsonaro resolve investir nos programas assistenciais

Carlos e Jair Bolsonaro
Siga o 247 no Google Notícias Seguir no Google Notícias Adicione o Brasil 247 como fonte preferencial no Google Apoie o jornalismo independente Apoie o 247

Rio – De olho nas eleições de outubro, Bolsonaro descobre que melhor que ter um plano de governo ou um plano econômico meia boca, é distribuir dinheiro para os pobres.

Indo na direção contrária de anos de palanque como deputado federal e na contramão de suas promessas de campanha, Bolsonaro resolve investir nos programas assistenciais. Para isso, resolveu convidar o apresentador Silvio Santos para ministro da Economia.

Quando o dono do SBT chegou ao Palácio do Planalto, Bolsonaro estava acabando de colorir um livro.

– Mandou me chamar, presidente? – perguntou Sílvio.

– Sim, Silvio. Quero que você seja o meu próximo ministro da Economia, taokey.

– Mas, e o Paulo Guedes?

– O Paulo Guedes começou como ‘Posto Ipiranga’ mas agora não passa de um postinho sem bandeira vendendo gasolina cara e adulterada e desse jeito eu não vou conseguir vencer as eleições.

E começou a cantar:

“Silvio Santos vem aí! Olê! Olê! Olá!…”

– O seu programa de governo é muito bom… eu nunca vi, mas o programa é muito bom! – disse Silvio, citando um de seus bordões.

– Esquece o programa. Vamos distribuir dinheiro!

– Como? Distribuir dinheiro? O senhor sempre foi crítico dos programas assistencialistas do governo do presidente Lula , presidente?

– E daí? Eu também critiquei o Centrão e hoje eles moram dentro do Palácio. Ontem mesmo encontrei um deputado dormindo debaixo da minha cama. As pessoas mudam, taokey. Silvio, você ficou rico dando dinheiro para os pobres – disse o capitão.  – Jogando dinheiro para o alto. Quero que me ensine esse truque. Acho que vou até usar o seu bordão “Quem quer dinheiro?”, na minha campanha. O que acha?

– Sei lá. O senhor mesmo disse que o ‘Bolsa Família’ era um cabresto para amarrar pobre. Suas palavras: “Devemos discutir aqui a questão do Bolsa Família. Devemos colocar um fim no Bolsa Família, porque, cada vez mais, pobres coitados, ignorantes, ao receberem bolsa família, tornam-se eleitores de cabresto do PT”.

– Era, taokey. Em um levantamento feito pelo Ibope, a aprovação do meu governo saltou de 29% em dezembro de 2020 para um recorde de 40% em setembro de 2021, um mês após anunciarmos a prorrogação do auxílio emergencial.

– E quanto ao provérbio que dizia ser melhor ensinar uma pessoa a pescar ao invés de dar-lhe o peixe.

– Não é fácil pescar de barriga vazia, taokey.

– A imprensa vai cair de pau nessa sua nova fase ‘mão aberta’.

– Fazer o quê!!?? Em política nada é imexível, taokey. Já mudei o nome do ‘Bolsa Família’ para ‘Auxílio Emergencial’ e aumentei para 400 reais. Agora, vou trocar a cor dos cartões e, aproveitando a ideia do excelente ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, que colocou a foto dele na Bíblia, vou colocar minha foto nos cartões do ‘Auxílio Emergencial’, taokey.

– Mas, presidente, isso vai custar 600 milhões aos cofres públicos. Como o senhor vai bancar isso, sem furar o teto de gastos?

– Tira da Educação!

– Presidente, assim o senhor pode sofrer um impeachment…

– Só Deus me tira dessa cadeira, taokey!! Mas, se quiserem me afastar da presidência, eu vou me auto-indultar.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.

Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Participe da discussão

Acompanhe as
últimas notícias