O arcabouço fiscal neoliberal está cobrando fatura política alta do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O desgaste é evidente.
Cogitado para voos mais altos na possibilidade de disputa eleitoral futura, levou um tiro de canhão nas asas.
Está ferido.
Dentro do governo, é um assunto incômodo, porque lança nuvens negras na reeleição do presidente Lula.
Ele tenta se salvar, dizendo que o PL de Bolsonaro financiou fake News sobre sua suposta determinação de expor os mais pobres que movimentam o PIX.
Taxar o empreendedorismo de baixa renda virou escândalo político.
É praticamente a totalidade da população que está envolvida no assunto, dada a popularidade da bancarização que o PIX proporcionou.
Os interesses da massa que se sente ameaçada está na raiz do sucesso do suposto fake news bolsonarista divulgado pelo deputado Nicolas Ferreira(PL-MG).
O presidente Lula está sendo, politicamente, o mais prejudicado.
A pressão em cima dele, portanto, coloca Haddad em risco, no cargo.
Afinal, na luta de poder, a corda sempre estoura pelo lado mais fraco.
Cresce, nessa conjuntura de crise política, os que se empenham em proteger o presidente das escorregadas de auxiliares, quando o caso ganha dimensão extraordinária.
A pancada foi forte.
GENI NACIONAL
Haddad virou a Geni nacional, com a maioria da população culpando-o pelo que aconteceu.
Lula assumirá a culpa de Haddad, construída pelo bolsonarismo via fake news?
Ou o titular do Planalto vai se desgastar com a iniciativa do ministro de tentar ir ao revide, acusando Bolsonaro de estar por trás dos ataques, porque a Receita Federal tem agido para mostrar os podres do ex-presidente, prestes a ir, provavelmente, para a cadeia?
O inquérito que a PGR prepara para pedir abertura de processo no STF contra Bozo é devastador.
Um inquérito a mais ou a menos faria ou não mais efeito além do que já explode nas costas do ex-presidente fascista, golpista contra a democracia?
O episódio do PIX, que foi criado por Bolsonaro, tenderia ou não fortalecê-lo diante da propensão de Haddad de processá-lo por seu partido financiar o deputado mineiro para fazer fake News contra o governo?
A controvérsia se instalaria ou não diante da tentativa de Haddad de processar Bolsonaro por ter seu discípulo político de Minas Gerais produzido Fake News contra o governo para viabilizar taxação dos que movimentam a partir de R$ 5 mil em sua conta bancária?
Não seria cair na esparrela daquele tal negócio de que quanto mais se mexe em bosta, mais ela fede?
E fede mais, no caso, na porta do Planalto.
Afinal, Haddad é o escalão mais avançado da ação governamental.
O fato relevante é que o esforço do ministro de alcançar sua meta essencial de déficit zero ou superávit primário de 0,5% do PIB, para atender a Faria Lima, sacrificou a política salarial popular do presidente no altar da austeridade fiscal.
Acelerou a impopularidade do governo.
Por isso, não adianta tapar o sol com a peneira: Haddad, em seu pior momento, está na corda bamba.
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