A troca de presentes é tradição entre chefes de estado, manifestações de cortesia, boa educação e hospitalidade. A diretoria de Documentação Histórica da presidência da república deve catalogar e registrar os presentes, os quais seriam todos do acervo, pois os presentes cabem ao mandato e ao país, não ao mandatário. A lei excetua os personalíssimos, recebidos em cerimônia oficial e os de uso direto.
O presidente Milei foi agraciado por Bolsonaro com um bóton de inscrição “imexível, imbroxável, incomível”, mas entre eles – nada oficial. O ex-presidente quando foi a Roma não viu o papa. Ainda bem! Pois essa brincadeira de mau gosto seria fazer São Pedro revirar no túmulo.
Longe da praça do Vaticano o ex-presidente cruzou o Oriente das mil e uma noites. Ao dignitário visitante até podem estender um tapete vermelho, franquear pistas a motociatas, recepção, lazer e honrarias. Lá, foi abençoado com um anel, abotoaduras, um rosário islâmico e um relógio da marca Rolex, conjunto “ouro branco” e ganhou também os de “ouro rosê”, caneta, anel, abotoaduras, rosário árabe e relógio, joias de alto valor, as quais pertenceriam à União.
Por que, em vez de joias não lhe deram um camelo dócil, uma cabra, um tapete persa? Essas joias deram muito o que falar desde a entrada delas na alfândega pelo aeroporto de Guarulhos, onde ficaram retidas pela Receita Federal, contando com as peripécias de servidores do governo para recuperá-las. O caso das joias milionárias ganhas da Arábia Saudita corre no Supremo Tribunal. Tanto se fala que parece a principal marca do governo Bolsonaro, depois da pandemia.
No Vaticano, o papa recebe líderes mundiais e lhes dá uma medalhinha, um quadro, uma lembrança do seu papado. Pela legislação brasileira, esses presentes de pequeno valor e simbologia são os personalíssimos, à pessoa física do presidente, listados como medalhas personalizadas, bonés, camisetas, gravatas, chinelos, perfumes, alimentos, entre outros, de uso direto.
Dar presentes caros ou sacolas de mimos a presidente ou rei, sem o cerimonial e publicidade não é comum. Um presente caríssimo seria constrangedor a um alto dignitário do país. Pois, da mesma forma, aquele que foi honrado com o presente, para não incorrer na falta de cortesia, retribuiria à nação amiga com outro presente de valor assemelhado. Claro, os presentes seriam não a ele, mas à nação a qual governa e retribui. Em geral, presentes se guardam e têm um condão simbólico. Vender presentes ganhos de um Estado amigo seria desprezo ao anfitrião.
Recentemente, Bolsonaro disse que venderá as joias que diz ser dele, para benemerência. As que ganhou da Arábia Saudita estão sob litígio e não devem ser as mesmas, pois pertenceriam ao acervo da União, não a ele. Contudo, já rico o bastante, não precisa de joias para começar a fazer benemerências.
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